
A Nvidia ampliou em US$ 150 bilhões a autorização para recompra de ações, operação em que a empresa compra papéis de sua própria emissão, elevando para US$ 235 bilhões a capacidade restante do programa. O anúncio foi feito hoje (28), em um momento de maior concorrência no mercado de chips para IA e de pressão sobre o desempenho das ações da companhia em relação a outras empresas do setor.
“Nossa geração de caixa nos dá capacidade de investir nas tecnologias que impulsionam essa transformação e devolver capital aos acionistas”, afirmou o presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, em comunicado. A empresa espera utilizar todo o saldo do programa até o ano fiscal de 2028.
As ações da companhia subiram mais de 2% após o anúncio. A Nvidia encerrou o trimestre de julho com US$ 22,44 bilhões em caixa e equivalentes de caixa. A última ampliação do programa havia sido de US$ 80 bilhões, anunciada em maio.
O novo montante aprovado pelo conselho supera os US$ 110 bilhões autorizados pela Apple em 2024. Segundo dados da LSEG, os US$ 150 bilhões adicionados pela Nvidia são superiores ao valor de mercado de cerca de 84% das empresas que compõem o índice S&P 500.
A recompra ocorre em meio à disputa entre empresas de tecnologia pela construção da infraestrutura necessária para o avanço da IA. Investidores também questionam se o ritmo de gastos que ajudou a levar a Nvidia ao posto de companhia mais valiosa do mundo pode ser sustentado.
Até a última sexta-feira, as ações da fabricante acumulavam alta pouco acima de 20% em 2026, em linha com o índice Nasdaq 100, mas atrás da AMD, que mais que dobrou de valor, e da Intel, que mais que triplicou.
Ao mesmo tempo, os papéis da Nvidia eram negociados a cerca de 16,5 vezes os lucros projetados para os próximos 12 meses, o menor múltiplo desde janeiro de 2015 e bem abaixo da média de 30 vezes dos últimos 15 anos, segundo a LSEG. Alguns analistas interpretam o indicador como um sinal de expectativas de desaceleração no crescimento dos lucros.
Ben Barringer, chefe de pesquisa de tecnologia da Quilter Cheviot, avalia que a recompra repete a estratégia da Apple de usar esse tipo de operação para sustentar as ações à medida que o crescimento desacelera e os múltiplos de avaliação sofrem pressão.
Em nota, Huang atribuiu o desempenho da companhia a uma transformação de plataforma. “O crescimento da Nvidia é impulsionado por uma mudança de plataforma que ocorre uma vez em uma geração, em direção à IA e à computação acelerada”, disse. Em agosto, a empresa projetou crescimento de cerca de 70% na receita para o ano fiscal de 2028.
Para Jacob Bourne, analista da Emarketer, “a expansão da IA não vai continuar no ritmo atual para sempre, mas a Nvidia sinaliza confiança de que a demanda por seu hardware e serviços tem fôlego”.
O movimento ocorre ainda em um cenário de queda nas recompras de ações. Segundo a Reuters, elas recuaram cerca de 50% entre julho e 23 de setembro, à medida que empresas se mostram mais cautelosas diante da necessidade de manter investimentos elevados — em parte impulsionados pelo boom de IA — e da incerteza econômica.
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