
Tem até um termo para isso: tapa com luva de pelica. Assim foi o tom de uma carta que o CEO da Amazon, Andy Jassy, enviou esta semana aos acionistas da companhia. Sem citar rivais de forma direta, o executivo aproveitou para cutucar nomes grandes como Nvidia, Intel e Elon Musk, ao mesmo tempo em que buscou reafirmar o nome da AWS na parte de cima da corrida da IA.
Ao falar da Nvidia, Andy até começou diplomático, exaltando a parceria que sua empresa mantém com a fabricante de chips. “Sempre teremos clientes que escolhem rodar os chips dela”, diz o CEO. Contudo, o elogio dura pouco. Na sequência, ele afirma que “praticamente toda a IA até agora foi feita em chips da Nvidia, mas uma nova mudança começou” — e que os clientes da AWS querem “melhor custo-benefício”.
A cutucada sutil é uma deixa para falar dos chips proprietários da Amazon, como o Trainium. Na mensagem, Andy destacou que a demanda pelo modelo mais recente do processador, o Trainium3, esgotou o estoque disponível em contratos de nuvem com grandes empresas. Para completar, ele afirmou que o Trainium4, que só estará disponível em 2027, já fechou sua cota de contratos.
Sobre os data centers de IA baseados em chips próprios da AWS, Andy Jassy calcula que o Trainium já opera em um ritmo de receita anual de US$ 20 bilhões. Se a Amazon vendesse esses chips no mercado aberto, o número chegaria a US$ 50 bilhões. Ainda é uma fração do que a Nvidia fatura com chips para IA (US$ 215,9 bilhões em 2025), mas o CEO parece disposto a “brigar”.
Para a Intel, a alfinetada tem a ver com o Graviton, o processador próprio da Amazon que compete com a arquitetura x86. Andy Jassy destaca que o chip já é usado por 98% dos mil maiores clientes de computação da AWS.
E vai além: duas empresas chegaram a pedir para comprar toda a capacidade disponível de instâncias Graviton em 2026. “Não podemos aceitar esses pedidos, dado o volume de outros clientes, mas isso dá uma ideia da demanda”, escreveu — com ênfase dele mesmo no original.
O recado para Elon Musk vem embrulhada no anúncio do Amazon Leo, serviço de internet via satélite da empresa e concorrente direto da Starlink. Segundo Andy, o produto, que deve entrar em operação em meados de 2026, já acumula contratos com Delta Air Lines, AT&T, Vodafone e NASA.
O tom mais inflamado de Andy Jassy tem um contexto maior. No começo do ano, as ações da Amazon caíram abaixo dos US$ 200, e muitos acionistas passaram a se preocupar com os altos gastos em IA – da ordem de mais de US$ 200 bilhões – que a empresa anunciou.
Para dar satisfações aos shareholders, Andy Jassy foi para a ofensiva, dando nomes e afirmando que sua empresa está fechando contratos. Segundo o CEO, vários outros acordos com clientes estão sendo concluídos e devem ser anunciados em breve, demandando boa parte da infraestrutura que a AWS está investindo pesado para construir.
“Não estamos investindo aproximadamente US$ 200 bilhões em 2026 com base em um palpite”, escreveu. E, para quem ainda tem dúvidas sobre uma possível bolha da IA, foi direto: “Acompanhei o debate público sobre se essa tecnologia está superestimada, se estamos em uma bolha. Para a Amazon, não estamos”, finaliza.
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