
A Nvidia consolidou-se como o maior símbolo da revolução da inteligência artificial. Desde o lançamento do ChatGPT, há pouco mais de dois anos, sua receita, lucratividade e valor de mercado dispararam, a companhia já vale US$ 4,5 trilhões. Com esse poder financeiro, a fabricante de GPUs de alto desempenho passou a multiplicar seus investimentos em startups, transformando-se também em um dos maiores motores do ecossistema global de IA.
De acordo com dados da PitchBook, e segundo o TechCrunch, apenas em 2025, a Nvidia participou de 50 rodadas de investimento, superando as 48 de todo o ano anterior. Esses aportes se somam às iniciativas de seu braço formal de capital de risco, o NVentures, que também acelerou o ritmo e já registrou 21 negócios neste ano, frente a apenas um em 2022. O foco, segundo a companhia, é apoiar startups “criadoras de mercado”, capazes de redefinir segmentos inteiros de tecnologia.
O portfólio de investimentos mostra o quanto a Nvidia estende sua influência além dos chips. Entre os maiores aportes está o da OpenAI, empresa criadora do ChatGPT, que recebeu um cheque de US$ 100 milhões da Nvidia em 2024, dentro de uma rodada monumental de US$ 6,6 bilhões. A relação evoluiu para uma parceria estratégica de até US$ 100 bilhões, voltada à expansão da infraestrutura de IA em escala global.
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Outro investimento de peso foi na xAI, de Elon Musk. Mesmo após a OpenAI tentar convencer seus investidores a evitar concorrentes, a Nvidia participou de uma rodada de US$ 6 bilhões e se comprometeu a investir até US$ 2 bilhões adicionais para financiar a compra de equipamentos da própria Nvidia.
A fabricante também apoia líderes de modelos abertos e de próxima geração. Entre eles estão a francesa Mistral AI, que levantou cerca de US$ 2 bilhões em setembro de 2025, e a norte-americana Reflection AI, considerada uma resposta ocidental à chinesa DeepSeek. A Thinking Machines Lab, fundada pela ex-CTO da OpenAI Mira Murati, recebeu aporte da Nvidia em um seed round avaliado em US$ 12 bilhões.
Do laboratório ao robô humanoide
A estratégia da Nvidia não se limita ao software. Em 2024, a companhia passou a financiar startups de hardware e infraestrutura de IA, como a Figure AI, que desenvolve robôs humanoides e alcançou valor de mercado de US$ 39 bilhões após sua rodada Série C. Outro exemplo é a Nscale, que está construindo data centers na Noruega e no Reino Unido para o projeto Stargate da OpenAI.
A empresa também investiu na britânica Wayve, voltada a veículos autônomos com aprendizado contínuo, e na Scale AI, fornecedora de dados rotulados para treinar modelos, empresa que recentemente teve parte adquirida pela Meta.
Energia, saúde e física quântica
O alcance dos investimentos da Nvidia inclui ainda setores fora do eixo tradicional da IA. Entre os aportes recentes está o da Commonwealth Fusion, startup de energia por fusão nuclear que levantou US$ 863 milhões em 2025, e o da Firmus Technologies, de Cingapura, que planeja uma “fábrica de IA” energeticamente eficiente na Tasmânia.
Na saúde, a Hippocratic AI vem desenvolvendo modelos de linguagem voltados a interações médicas não diagnósticas, com o apoio da Nvidia em uma rodada de US$ 141 milhões. Já a Sandbox AQ, fundada por ex-executivos do Google, recebeu US$ 150 milhões para acelerar pesquisas em computação quântica e análise numérica.
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