
O Brasil está consolidando sua posição como hub de inovação em Internet das Coisas (IoT) na América Latina, impulsionado por um ecossistema que já conta com centenas de empresas desenvolvendo soluções tecnológicas para os mais diversos setores. A avaliação é de Beto Marcelino, presidente do Conselho do iCities, empresa criada em 26 de junho de 2011, durante o IoT Solutions Congress Brasil 2025, realizado em São Paulo.
“Quando a gente fala de IoT, a gente também não deixa de falar de inteligência artificial, conectividade. O Brasil tem produzido muita tecnologia”, afirma Marcelino, destacando que apenas no estado do Paraná existem mais de 500 empresas trabalhando com sistemas operacionais que utilizam Internet das Coisas. “Estamos olhando o mundo, produzindo IoT de qualidade, não ficamos para trás.”
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O executivo, que fundou sua empresa há 14 anos e hoje também atua como diretor de cidades inteligentes da CESP (Confederação das Empresas de Serviços e Produtos do Paraná), vê no evento brasileiro uma oportunidade única de consolidar o que chama de “Triple Helix” – a integração entre academia, gestores públicos e empresários.
“A gente conseguiu trazer aqui para esse evento um nível de celebração muito interessante. A gente tem diretores de grandes empresas”, destaca Marcelino, citando como exemplo a presença do superintendente de desenvolvimento da Zona Franca de Manaus, que representa um polo com 600 empresas instaladas e faturamento de US$ 124 bilhões em 2023.
A segunda edição do IoT Solutions Congress Brasil, versão nacional do IoT Solutions World Congress – encontro internacional anual que reúne líderes da indústria e especialistas em tecnologia –, reuniu centenas de startups apresentando soluções para os mais variados problemas que o país poderia implementar. O evento é uma parceria entre o iCities, hub brasileiro em cidades inteligentes, e a Fira Barcelona, referência global na realização de grandes eventos.
Transformação digital nas cidades
Para Marcelino, a transformação das cidades brasileiras por meio da IoT já é uma realidade palpável. “As cidades estão todas elas sensorizadas já. Cada cidadão que tem um smartphone no bolso já tem um sensor ativo”, explica, destacando como a tecnologia se integrou ao cotidiano urbano, desde serviços de saúde até sistemas de trânsito inteligente.
O executivo exemplifica essa integração citando serviços públicos digitais: “Hoje, através do SUS, é possível marcar uma consulta à distância. Você está usando a internet para isso, está usando um celular para isso, um device para isso.”
“Já no trânsito, sensores estão sendo utilizados para fazer semaforização inteligente. A tecnologia ligada à Internet das Coisas e o avanço das cidades está proporcionando qualidade de vida”, analisa.
Desafios e oportunidades
Apesar do cenário positivo, o presidente do Conselho do iCities identifica gargalos que ainda precisam ser superados. “O que falta ainda é o entendimento das políticas públicas”, avalia, defendendo a criação de incentivos fiscais para pessoas e empresas que desenvolvem soluções para o próprio governo.
Como exemplo de iniciativa bem-sucedida, cita o Hub de GovTech do Governo do Estado do Paraná, que estabeleceu parceria com o Parque Tecnológico de São José dos Campos e o Instituto iCities para desenvolver 20 soluções governamentais em um ano. “Para que o Governo do Estado pare de fazer contratos muito pesados, caros, e que a gente possa achar no ecossistema de inovação startups que tragam as soluções num valor muito menor, dando oportunidade para jovens talentos aparecerem e serem parceiros do Governo do Estado”, explica.
Para Marcelino, essa abordagem pode acelerar a capacitação de jovens desempregados para trabalhar na indústria de tecnologia e serem aproveitados como mão de obra especializada pelo Estado, “sem ter que passar, talvez, por um concurso público, mas ser absorvido com mão de obra tecnológica”.
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