
A Claranet atravessa uma fase de consolidação e expansão de seus negócios no Brasil. Presente no País desde 2016, quando iniciou suas operações no mercado nacional após adquirir a CredibiliT – companhia paulista então especializada em tecnologia de nuvem –, a empresa tem concentrado seus esforços na ampliação do portfólio e no crescimento entre clientes de grande porte.
O movimento é sustentado por um programa de investimentos de R$ 160 milhões em cinco anos, iniciado em 2023. Entre as metas estão a modernização das plataformas de nuvem e a ampliação da oferta de serviços, ambas voltadas a aumentar a capacidade da Claranet de atender empresas com demandas mais complexas.
“Nos últimos dois anos percebemos que não investimos o suficiente, então desenhamos um programa de renovação tecnológica. O resultado é que hoje já temos mais oportunidades de negócios maiores do que tínhamos antes”, conta António Miguel Ferreira, membro do conselho executivo global da Claranet, em entrevista ao IT Forum.
A receita líquida da operação brasileira, encerrada em junho de 2025, foi de aproximadamente R$ 260 milhões. A expectativa é crescer acima de 10% ao ano – ritmo que, combinado a pelo menos uma nova aquisição, permitirá à empresa atingir a meta de R$ 500 milhões até 2028.
Para Charles Nasser, fundador e CEO global, o Brasil segue sendo estratégico para o grupo. “Em 2016 vimos que o país era um mercado com muito mais demanda do que a Europa. Fizemos aquisições, consolidamos e continuamos enxergando muito potencial. É um mercado que, de fato, ainda tem muito a crescer em tecnologia”, diz.
O retorno de Daniel Galante ao comando da operação, em maio de 2025, simboliza essa nova etapa. Fundador da CredibiliT, Galante passou os últimos anos em multinacionais do setor e retorna com experiência de gestão em estruturas de maior porte. “Ele voltou muito mais maduro. Antes era 80% empreendedor e 20% gestor, agora está equilibrado. Isso é essencial para estruturar a operação e dar o próximo salto”, observa Nasser.
Para Ferreira, o retorno do executivo à liderança da operação local também fortalece o modelo de governança da Claranet, que privilegia a autonomia regional. “Não somos uma multinacional centralizada. A força está em cada país, com decisões adaptadas ao mercado. É assim que conseguimos responder melhor às necessidades dos clientes”, explica.
Grandes clientes na mira
Para alcançar a ambição de avançar entre contratos de maior porte no Brasil, a Claranet deve apostar na especialização por setor. Áreas como serviços financeiros, varejo, agronegócio e saúde estão no radar. “À medida que crescemos, precisamos entender profundamente cada indústria. Se oferecemos serviços para um banco, temos que compreender o ecossistema bancário. O mesmo vale para saúde e agronegócio”, destaca Ferreira.
A estratégia segue o caminho adotado pela empresa em países como Portugal – onde a operação foi liderada por Ferreira por 20 anos – e onde a verticalização por setores acompanhou o rápido crescimento do negócio. “À medida que crescemos, atraímos clientes maiores, que demandam mais de nós. É um processo de maturidade que vimos acontecer em vários países, e o Brasil não é exceção”, resume Nasser.
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Embora o foco seja o crescimento orgânico, a empresa não descarta novas aquisições no Brasil. “É preciso paciência. O mercado está cheio de oportunidades, mas só faz sentido adquirir quando há encaixe estratégico”, comenta Ferreira.
O uso de inteligência artificial e automação também influencia a estrutura da empresa. Com cerca de 300 funcionários no Brasil, a expectativa é de expansão moderada do quadro, na ordem de 5% ao ano, já que parte do crescimento se apoia em processos mais eficientes. A mudança, segundo Nasser, não reduz a importância das pessoas, mas exige perfis diferentes.
“Sempre acreditamos que quem trabalha conosco deve estar aqui porque quer fazer parte do projeto, não apenas pelo salário. A automação ajuda, mas a cultura é essencial. E o ambiente atual, em que algumas grandes empresas reduzem equipes, tem facilitado a atração de talentos para nós”, afirma.
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