
A inteligência artificial deve se tornar cada vez mais estratégica para as empresas ao longo de 2026. Mais que isso, ela estará em aplicações práticas da tecnologia, fazendo parte do cotidiano dos trabalhadores não só da TI, mas de todas as outras áreas.
Essa é uma das conclusões possíveis de se extrair da opinião de oito especialistas do setor. Eles dizem a seguir o que esperam da IA em 2026 para diferentes setores. Confira:
1) Assistentes de IA nas eleições
Marcelo Bissuh, fundador da Nomos, startup de dados políticos e monitoramento de risco, a IA será tema central nas eleições de 2026. “A tecnologia está fazendo pela produção de conteúdo o que a internet fez pela distribuição: quebrou o monopólio dos grandes atores e deu um canal direto e poderoso a todos”, pondera. “Cada vez mais, o público recorre a assistentes de IA como ChatGPT, Claude ou Perplexity para obter desde recomendações até a checagem de fatos.”
Para o especialista, essa tendência abre uma “nova fronteira” para a comunicação política, o “SEO para inteligência artificial” – aquilo que o mercado já tem chamado de GEO. “Se antes a presença digital era sobre ser encontrado no Google e nas redes sociais, hoje é crucial aprender a ser uma resposta relevante e confiável dentro desses novos ecossistemas de informação”, explica.
2) Advocacia em transformação
Para Rafael Grimaldi, cofundador da legaltech Inspira, a transformação do Direito passa menos pela substituição de profissionais e mais pela redefinição do valor do trabalho jurídico. Ele cita um relatório, o Legal Trends 2026, da Bloomberg Law, segundo o qual estamos entrando na era da IA agêntica no jurídico.
Com isso, a IA desloca o foco do trabalho jurídico da execução para a tomada de decisão. Em 2026, a combinação entre pressão de clientes, exigência de competência tecnológica e amadurecimento da IA marca um ponto de inflexão, diz. Escritórios que tratarem a IA como estratégia estarão mais preparados para liderar a próxima fase da advocacia.
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3) Maior eficiência administrativa
Josiani Silveira, CEO da SoftExpert, diz que a IA é essencial para a gestão ao facilitar a análise de documentos e as análises de risco. “A verdadeira revolução do uso dessa tecnologia não está nos chatbots que ganham manchetes, mas nas operações que não são visíveis, ou seja, nos processos manuais que consomem horas, geram retrabalho e afastam o time do que realmente importa para o sucesso do negócio”, diz.
4) Agentes especializados em processos
Para Marcelo Clara, CTO da Quod, os agentes especializados inauguram uma “nova fase de orquestração inteligente do trabalho”. Segundo ele, a IA no ambiente corporativo mudou de uma abordagem de automação pontual ou modelos estatísticos aplicados para agentes altamente especializados que “executam tarefas complexas, com controle, rastreabilidade e governança de nível corporativo”.
Para ele, o principal ganho é a confiança operacional, com “certeza de que a tecnologia está a serviço do negócio e não o contrário”.
5) Recrutamento e seleção
Matheus Fonseca, cofundador da Leapy, ressalta o papel da inteligência artificial em um recrutamento “mais justo e inclusivo”, desde que certos cuidados sejam tomados. “A IA não elimina vieses sozinha, os amplifica se não mudarmos os critérios de decisão”, ressalta. “Mas quando bem desenhada, a IA avalia pessoas pelo que têm potencial de fazer, e não apenas pelo que já fizeram. Isso reduz arbitrariedades e torna mais claros os critérios de decisão.”
O executivo defende o modelo skill-based hiring como um dos caminhos mais eficazes. Para 2026, a expectativa dele é que a IA seja usada de forma mais estratégica e transparente, apoiando decisões com dados e promovendo processos seletivos mais justos e auditáveis.
6) Motor central dos negócios
Segundo Gustavo Bassan, VP de Engenharia da BossaBox, a IA começa 2026 já em novo estágio de maturidade, deixando para trás o uso pontual e a lógica de experimentação para se consolidar como parte da infraestrutura das empresas. Isso significa “sustentar decisões, identificar necessidades, tomar ações em tempo real e orquestrar fluxos inteiros de produção, da lógica de negócio à operação”.
Nesse contexto, diz ele, o ser humano deixa a execução e passa a operar como arquiteto, curador e orquestrador de sistemas. Mas, para que isso funcione, “torna-se indispensável um domínio profundo de contexto (da empresa, do produto, do ciclo de desenvolvimento e das restrições do negócio) já que, sem esse entendimento, a IA dificilmente consegue gerar valor real.”
7) Inteligência relacional
Já Laís Macedo, presidente do Future Is Now, hub de networking para líderes da chamada “nova economia”, a automação de processos deixou mais evidente a necessidade das competências humanas, especialmente aquelas ligadas à criação de vínculos, leitura de contexto e liderança empática. Elas se tornaram ainda mais estratégicas para garantir sustentabilidade e competitividade no longo prazo, defende ela.
“Mais do que saber se comunicar, trata-se da capacidade de construir relações genuínas, lidar com subjetividades, adaptar-se a diferentes realidades e sustentar conexões significativas, habilidades que trabalham junto com a IA e se tornaram pilares para o sucesso e a inovação nos negócios do futuro”, diz.
8) Modelos de comunicação adaptáveis
Para Helena Prado, presidente executiva da agência de comunicação Pine, a ascensão da IA impõe uma mudança estrutural na forma como as marcas planejam, constroem e sustentam a própria relevância. Em um cenário de dados em tempo real, análises mais profundas e interações personalizadas em escala, estratégias rígidas perdem espaço para modelos de comunicação baseados em adaptabilidade radical, defende.
“Em tempos de IA, esses planos precisam ser vistos cada vez mais como estruturas vivas, prontas para serem atualizadas diante de novos dados, tendências ou mudanças de comportamento do público. Ao mesmo tempo, o branding passa a ser diretamente impactado pela IA, e o uso dessas tecnologias deixa de ser opcional e se torna um fator crítico de competitividade, especialmente diante das buscas assistidas por inteligência artificial, que redefinem as regras da visibilidade digital”, explica a executiva.
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