
A OpenAI anunciou na noite desta terça-feira (21) a nomeação de David Vélez, fundador e CEO do Nubank, para os conselhos da OpenAI Foundation e do OpenAI Group PBC. A movimentação ocorre em meio às expectativas de abertura de capital da companhia de Sam Altman, o que é esperado para ocorrer entre este ano e ano que vem.
Antes de fundar o Nubank, o colombiano passou pelo Morgan Stanley e pela gestora de venture capital Sequoia Capital. À frente do roxinho, liderou a expansão da companhia em diferentes mercados, como México e Colômbia, e conduziu seu IPO na Bolsa de Nova York, experiência que será útil para a OpenAI neste momento.
Mas a gigante de IA não é a única que irá se beneficiar dessa relação. O anúncio da nomeação de Vélez ao conselho da OpenAI chega na mesma semana em que o Nubank anunciou a aquisição do banco Porto Real, incorporando a licença bancária da instituição no Brasil, e poucos dias depois de o grupo virar banco no México e anunciar uma nova CEO para América Latina.
Em relatório enviado nesta quarta-feira (22), o BTG afirma que, embora o anúncio não implique uma parceria comercial entre o Nubank e a OpenAI, esse acesso é estrategicamente relevante à medida que o Nubank busca tornar a IA um componente cada vez mais importante de sua oferta de produtos e de seu modelo operacional.
“O anúncio representa mais um sinal da crescente aproximação de Vélez com o ecossistema global de tecnologia e inteligência artificial. Sua recente decisão de se mudar para Palo Alto também parece estar alinhada com essa direção, aproximando-o do principal polo mundial da indústria de IA”, observa o banco.
Setor financeiro e filantropia
Além de Vélez, a companhia também nomeou Robin Vince, CEO do BNY Mellon (The Bank of New York Mellon), para os conselhos.
No comunicado enviado ao mercado, a OpenAI afirma que os executivos trazem perspectivas complementares sobre como a tecnologia pode transformar setores inteiros e impulsionar o crescimento econômico. “Ambos lideraram instituições globais em períodos de profundas mudanças tecnológicas e de mercado, combinando inovação ambiciosa com governança sólida, resiliência e foco na criação de valor duradouro para as pessoas que utilizam seus serviços”, diz a nota.
Além disso, a companhia destaca que ambos têm experiência atuando com filantropia e na liderança de organizações sem fins lucrativos nas áreas de saúde, educação e artes, além de décadas de experiência na construção de instituições que ampliam o acesso e as oportunidades econômicas.
“David e Robin são líderes excepcionais que usaram a tecnologia para transformar os serviços financeiros e ampliar oportunidades em escala global. A experiência deles será inestimável à medida que a OpenAI atende cada vez mais empresas e pessoas ao redor do mundo, trabalhando para garantir que a IA beneficie a todos”, afirmou Bret Taylor, presidente dos conselhos da OpenAI Foundation e da OpenAI Group PBC.
O que está por trás das nomeações
A OpenAI está montando um conselho para Wall Street, de olho no IPO, e respondendo às críticas de governança iniciadas em 2023, quando o conselho da companhia demitiu Sam Altman alegando falhas do fundador na comunicação com os conselheiros. A decisão provocou uma crise, com funcionários ameaçando deixar a empresa, investidores pressionando pela volta de Altman e a Microsoft, principal parceira da OpenAI na ocasião, se oferecendo para contratar a equipe. Cinco dias depois, o CEO foi reconduzido ao cargo e quase todo o conselho foi substituído.
Desde então, a OpenAI vem promovendo uma reformulação da sua governança, substituindo um conselho composto majoritariamente por especialistas em segurança da IA e acadêmicos por executivos experientes. Depois da volta de Altman, em 2023, o novo conselho passou a incorporar nomes como Bret Taylor, ex-presidente do conselho do Twitter e ex-CEO da Salesforce, Larry Summers, ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, e Fidji Simo, CEO da Instacart.
Nesse contexto, David Vélez e Robin Vince estariam alinhados ao que a companhia tem buscado. Vélez traz a experiência de quem passou por diversas áreas do mercado financeiro, desenvolveu uma fintech do zero ao IPO e ainda representa uma porta de entrada para o mercado latino-americano.
Já Robin Vince assumiu o comando do BNY Mellon em 2022, após quase três décadas no Goldman Sachs. Sob sua liderança, o banco acelerou investimentos em transformação digital, inteligência artificial e modernização da infraestrutura financeira.
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