
A inteligência artificial (IA) está em todos os lugares. Ainda assim, empresas de Telecom esboçam dificuldade de encontrar um lugar para fazer parte dessa revolução. É o que aponta uma pesquisa da McKinsey. De acordo com o relatório, 50% das organizações do setor ainda não veem valor na adoção da IA e 60% afirmam ter algum caso de uso em andamento, sendo a maioria relacionada a processos internos, como atendimento e backoffice.
Para Rafael Mezzasalma, gerente-geral da Nokia Brasil, a solução está em olhar para a necessidade de infraestrutura que a nova tecnologia demandará, tornando-se o provedor que dará suporte para essa revolução acontecer. Durante o painel “30 anos em 01? Telecom e IA” realizado nesta terça-feira (30) na Futurecom, o executivo afirmou que esta será a próxima curva de crescimento para as empresas do setor.
“Até agora o segmento tem vivido um crescimento flat, mas as projeções são de 18% a 25% crescimento de tráfego de dados por ano, e esses dados precisam de infraestrutura. É preciso saber surfar essa onda de GPUs as a service e data centers”, afirmou.
A fala ecoou a posição do seu companheiro de painel, Lucas Aliberti, diretor comercial (CCO) da V.Tal, que defende não apenas a necessidade de se pensar em serviços de infraestrutura, como também que eles sejam feitos rapidamente. “Nós temos uma infraestrutura desenvolvida no Brasil, mas a IA, no médio prazo, vai demandar um volume de investimento muito além do que a gente tem hoje. E o desafio é mostrar que o Brasil é o local correto para as desenvolvedoras de conteúdo se aloquem.”
Um passo na regulamentação
Apesar do desejo as empresas do setor, ainda há uma peça fundamental para a consolidar o País como centro de conectividade e infraestrutura: o governo. O envolvimento do Estado nesta nova etapa do País foi defendido pelo diretor-presidente da Algar, Luiz Alexandre Garcia.
De acordo com o executivo, o Brasil possui já possui todos os atributos para se tornar um paraíso de data centers – área, conectividade, energia elétrica, entre outros – no entanto, ainda trava uma batalha na competitividade tributária. “Ser um País de infra precisa entrar no plano estratégico do Governo, porque os hiperscalers estão disputando países. Na própria América do Sul, o Paraguai pode ser um concorrente.”
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Além da América do Sul, o mediador do painel, Ari Lopes, líder de prática, mercados de provedores de serviços nas Américas e EMEA da Omdia, lembrou que a concorrência para se estabelecer como provedor tem crescido mundialmente, incluindo países com eletricidade cara e problemas de desastres naturais, como o Caribe.
Já para Mezzasalma, as questões tributárias vão além do nível federal, abrangendo também os governos dos estados, com uma regulamentação que auxilie na descentralização das estruturas, indo além do eixo Rio, São Paulo e Fortaleza. “Estamos falando de leis que permitam a interconexão desses data centers, mas que eles cheguem em todo o Brasil.”
Para além do incentivo à indústria nacional, Debora Bortolasi, VP B2B da Vivo, afirmou que não é possível desassociar a cibersegurança e a soberania nacional. “Precisamos pensar em uma forma de garantir a segurança dos dados que serão rodados aqui.”
Formação em primeiro lugar
Independentemente dos esforços governamentais ou de negócios, para Debora, qualquer futuro investimento relacionado à inteligência artificial (IA) precisa vir acompanhado de capacitação de pessoal. “Nós entendemos que gente é a nossa maior tecnologia. E quando 39% dos executivos afirmam que a maior dificuldade para a adoção de IA é a qualificação profissional, nós precisamos olhar para o reskilling”, defendeu.
Em sua fala, a executiva também falou da dualidade vivida pelo Brasil, na qual quase metade da população ainda possui dificuldades com arquivos de e-mail, e ainda assim, somos um dos países mais rápidos em adoção da tecnologia.
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