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OpenAI e Disney (Imagem: Shutterstock)

A OpenAI decidiu descontinuar o Sora, sua plataforma de geração de vídeos por inteligência artificial (IA), menos de dois anos após o lançamento que chamou atenção global pela qualidade das produções criadas a partir de comandos simples. A decisão também encerra a parceria firmada com a Disney, considerada um marco na relação entre empresas de tecnologia e a indústria do entretenimento.

Segundo informações divulgadas pela BBC, a companhia optou por finalizar tanto a versão voltada ao consumidor quanto a ferramenta utilizada por profissionais, redirecionando seus esforços para outras frentes de desenvolvimento em inteligência artificial. Entre as prioridades está o avanço de tecnologias capazes de executar tarefas no mundo físico, com foco especial em robótica.

Com a mudança, em vez de seguir na disputa acirrada pelo mercado de geração de vídeos, que se tornou rapidamente competitivo, a OpenAI passa a concentrar investimentos em sistemas mais complexos, como agentes autônomos. Esses sistemas são projetados para realizar atividades com menor intervenção humana, ampliando o escopo de aplicação da IA em ambientes corporativos e operacionais.

A empresa afirmou que pretende aproveitar os aprendizados adquiridos com o desenvolvimento do Sora, especialmente na criação de conteúdos realistas, para treinar modelos que possam ser aplicados em robôs. A ideia é levar a capacidade de interpretação e execução da IA para além do ambiente digital, aproximando-a de tarefas práticas no mundo real.

Parceria com a Disney

O encerramento do Sora também impacta diretamente a relação com a Disney. Em 2025, as empresas haviam firmado um acordo de licenciamento que permitia o uso de personagens da gigante do entretenimento em vídeos gerados por IA. O movimento foi visto como um divisor de águas na indústria, ao indicar uma possível convergência entre Hollywood e empresas de tecnologia após um período de tensões envolvendo direitos autorais.

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Com o fim da iniciativa, a Disney sinaliza que segue buscando outras plataformas de inteligência artificial para explorar o uso da tecnologia de forma responsável, especialmente no que diz respeito à proteção de propriedade intelectual. A discussão sobre direitos autorais, aliás, foi um dos principais pontos de atenção ao longo da trajetória do Sora.

Desde o seu lançamento, a ferramenta despertou entusiasmo pela capacidade de produzir vídeos altamente realistas, comparáveis a produções profissionais. Ao mesmo tempo, levantou preocupações dentro das indústrias criativas, que passaram a questionar os impactos da tecnologia sobre empregos e modelos de produção de conteúdo.

O cenário competitivo também se intensificou rapidamente. Novos players entraram no mercado com soluções semelhantes, incluindo empresas asiáticas que ganharam visibilidade ao viralizar conteúdos gerados por IA envolvendo personagens conhecidos da cultura pop. Esse ambiente pressionou ainda mais a evolução e diferenciação das plataformas.

Apesar do encerramento do Sora, a OpenAI destacou que outras funcionalidades visuais permanecem ativas, como os recursos de geração de imagens disponíveis no ChatGPT. A decisão, portanto, não representa uma saída completa do campo criativo, mas sim uma redefinição de foco dentro de um portfólio mais amplo de inteligência artificial.

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