
A Oracle anunciou ontem (2) uma captação de US$ 20 bilhões por meio da venda de ações e da emissão de títulos de dívida para financiar a construção de sua infraestrutura de nuvem e inteligência artificial. A empresa norte-americana de software dividiu a operação em duas partes: US$ 10 bilhões em ações e US$ 10 bilhões em dívida.
No braço de ações, a Oracle precificou a oferta de 86,2 milhões de papéis a US$ 116 cada, desconto de 11,2% em relação ao fechamento de sexta-feira (30). Os detalhes da precificação foram antecipados pela Bloomberg. A parte em dívida tem vencimentos entre 2029 e 2046.
Após o anúncio, as ações da companhia recuaram 8,8%, para US$ 119,22, segundo a Reuters. Com a queda, a Oracle acumula perda de cerca de 39% no ano.
De acordo com a big tech, os recursos serão usados para fins corporativos gerais, o que inclui investimentos, pagamento de dívidas, aquisições, dividendos e recompra de ações.
Estrutura da dívida
A emissão de títulos é composta por cinco tranches, parcelas em que uma emissão é dividida, cada uma com prazo e taxa próprios. Todas têm juros fixos, com taxas entre 7% e 8,65% e vencimentos entre 2029 e 2046.
A versão final da oferta não incluiu a tranche de juros flutuantes que a Oracle havia indicado em documento enviado anteriormente a reguladores. Entre os títulos já em circulação, os papéis com juros de 6,85% e vencimento em 2066 caíram mais de 1,2 centavo por dólar, de acordo com dados da Tradeweb.
Metas até 2030
A Oracle busca mais que triplicar a receita até o ano fiscal de 2030. A empresa projeta receita acima de US$ 225 bilhões e lucro ajustado por ação superior a US$ 21 nesse período, ante receita de US$ 67,36 bilhões no ano fiscal de 2026.
Na semana passada, a companhia afirmou que os gastos com investimentos atingirão o pico neste ano fiscal e no próximo, e se comprometeu a levantar no máximo US$ 20 bilhões adicionais em financiamento para IA até o ano fiscal de 2030. Hilary Maxson, CFO da Oracle, também disse que a empresa espera fluxo de caixa livre positivo no segundo semestre do ano fiscal de 2028, indicador que desconta os investimentos do caixa gerado pela operação. Depois da declaração, as ações subiram cerca de 11% na quarta-feira (28).
Para o ano fiscal de 2027, a expectativa de Wall Street é de lucro ajustado por ação de US$ 8,14, segundo dados compilados pela LSEG.
Dívida e exposição à OpenAI
Em 31 de agosto, a Oracle tinha US$ 125,34 bilhões em notas a pagar e outros empréstimos. O valor se compara à receita de US$ 67,36 bilhões do ano fiscal de 2026.
De acordo com a Reuters, os investidores acompanham de perto os gastos da Oracle em IA porque a empresa tem receita inferior à de suas rivais de nuvem, Microsoft e Amazon, e exposição relevante à OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT que opera com prejuízo.
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