
1. Rede de vigilância chinesa
Em junho de 2025, um dos maiores vazamentos de dados da história foi identificado pelo pesquisador Bob Dyachenko, da SecurityDiscovery, em parceria com a equipe do Cybernews. Um banco de dados de 631 GB, sem qualquer proteção por senha, expôs 4 bilhões de registros contendo informações pessoais sensíveis de cidadãos chineses, incluindo dados do WeChat, detalhes bancários, informações de perfis do Alipay, números de telefone, endereços residenciais e perfis comportamentais.
A exposição foi considerada crítica pelo teor das informações. A partir dos dados vazados, seria possível traçar rotinas, relações e comportamentos dos indivíduos afetados. A descoberta reacendeu o debate sobre práticas de vigilância digital e segurança de bases governamentais e corporativas no país, que historicamente opera sob forte centralização de dados.
2. Qantas
Também em junho de 2025, a companhia aérea australiana Qantas confirmou um ataque que resultou no roubo de 5,7 milhões de registros de clientes. O incidente ocorreu após criminosos explorarem vulnerabilidades em um sistema terceirizado integrado ao Salesforce, permitindo a extração de dados pessoais como nomes, e-mails, telefones e informações de contas do programa de milhagem.
A confirmação da extensão do vazamento veio após o prazo de um pedido de resgate não ser atendido. O grupo Scattered Lapsus$ Hunters assumiu a autoria do ataque. Após o episódio, a Qantas enfrentou questionamentos sobre a dependência de integrações externas e sobre práticas de autenticação e monitoramento.
3. SK Telecom
Em abril de 2025, a companhia de telecomunicações sul-coreana SK Telecom identificou atividade anômala em seus sistemas e, após investigação interna, constatou que um malware havia sido inserido por meio de atualização de software fornecida por um terceiro. A falha permitiu o acesso indevido a dados USIM, incluindo números IMSI, MSISDN, chaves de autenticação e demais credenciais críticas utilizadas para validar usuários em redes móveis.
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O ataque resultou na coleta de dados sensíveis de mais de 27 milhões de usuários. O episódio, no entanto, gerou críticas pela demora de sete dias entre a detecção e a divulgação pública, além de dificuldades enfrentadas por clientes ao tentar acessar o serviço de proteção USIM. A gravidade do episódio levou autoridades coreanas a aplicarem uma multa recorde de US$ 96,9 milhões, uma das maiores penalidades já impostas no setor de telecomunicações do país
4. McDonald’s
Entre junho e julho de 2025, uma falha grave no sistema de recrutamento McHire, da McDonald’s, expôs informações de aproximadamente 64 milhões de candidatos em todo o mundo. O incidente veio de uma falha básica de segurança: pesquisadores conseguiram acessar uma conta administrativa usando “123456” como login e senha, credenciais que pertenciam a um ambiente de testes não desativado desde 2019.
Os dados expostos incluíam nomes completos, e-mails, telefones, detalhes das candidaturas, transcrições de conversas com a assistente virtual, resultados de testes de personalidade, currículos e endereços IP. Embora não tenham sido divulgadas informações financeiras sensíveis, o material poderia ser usado para ataques de phishing e fraudes de engenharia social.
5. Pix
O vazamento de chaves Pix no sistema administrado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) expôs mais de 46 milhões de chaves correspondentes a 11 milhões pessoas, segundo o Banco Central. O acesso indevido ocorreu via Sisbajud, plataforma que conecta o Judiciário ao BC para solicitação de dados financeiros Informações como nome do usuário, CPF, instituição bancária, agência, tipo e número da conta, chave Pix foram expostas.
Tanto o BC quanto o CNJ enfatizaram que não houve exposição de senhas, saldos ou dados protegidos por sigilo bancário. Ainda assim, o incidente reacendeu discussões sobre a segurança dos sistemas judiciais e o uso crescente de plataformas automatizadas para cumprimento de ordens financeiras.
Bônus: o megavazamento de bilhões
Em meados de 2025, pesquisadores identificaram uma coleção gigantesca de mais de 16 bilhões de credenciais de login, reunidas ao longo do tempo a partir de vazamentos antigos e de máquinas infectadas por malware. O material incluía logins e senhas em texto puro de usuários de grandes serviços como Apple, Google, Facebook, Telegram e GitHub, com impacto significativo sobre populações de língua portuguesa e Rússia.
A base, construída a partir de 30 conjuntos de dados expostos coletados em seis meses de investigações, não representou um único vazamento, mas reforçou a persistência de riscos decorrentes de credenciais reaproveitadas e da falta de autenticação. O episódio também aumentou a preocupação acerca do acúmulo de dados vazados na última década.
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