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Davi Peixoto, fundador e CEO da Pax | Foto: divulgação
Davi Peixoto, fundador e CEO da Pax | Foto: divulgação

Se hoje existem startups de toda sorte encontrando formas de usar IA para solucionar problemas nas mais diferentes verticais, não é tão surpreendente ver uma delas encarando um dos maiores desafios do Brasil: a segurança pública. No caso, quem está assumindo essa “missão” é a Pax, empresa que acaba de levantar uma rodada seed de US$ 40 milhões.

O deal, já considerado uma das maiores rodadas seed da América Latina até hoje, foi liderado pelos fundos norte-americanos Greenoaks e Benchmark. Com o aporte, o plano da companhia é ganhar mais musculatura para competir em um segmento onde a maioria dos líderes ainda vem de fora do país.

Apesar dos planos, a startup paulistana não divulga números de clientes, faturamento ou metas de crescimento após a nova rodada. Porém, o fato é que a Pax terá que disputar mercado com nomes internacionais de peso, como Motorola Solutions e Axon, referências em soluções de monitoramento por câmeras e software.

No Brasil, uma startup que oferece soluções semelhantes é a Gabriel, empresa de IA para monitoramento residencial e comercial por câmeras, que já levantou cerca de US$ 27 milhões em aportes nos últimos cinco anos.

Já entre startups semelhantes lá fora, a Greenoaks, principal investidora da Pax, participou no ano passado de uma rodada de US$ 275 milhões na Flock Safety, fabricante de câmeras leitoras de placas e outras tecnologias voltadas à segurança pública.

Segundo o CEO e fundador da Pax, David Peixoto, o diferencial da plataforma está na solução de um problema relacionado ao tratamento de dados durante investigações criminais. A partir de inteligência artificial, o software da Pax consegue analisar imagens de vigilância, construir hipóteses e responder perguntas dos investigadores como se eles estivessem “conversando” com um assistente digital.

“O gargalo da investigação é um problema de dados”, afirma David. “Construímos a Pax do zero para conectar informações do mundo real e torná-las úteis em tempo real. O policial decide. A plataforma potencializa a capacidade dele”, afirma o executivo, que antes de fundar a Pax foi cofundador da isaac, fintech para o setor de educação adquirida pela Arco em 2022.

Em sua primeira operação em larga escala, no município goiano de Luziânia, o uso da plataforma esteve associado a uma queda de 27% nos crimes violentos em seis meses. A eficiência policial dobrou no período, enquanto a sensação de segurança da população aumentou 59%, segundo levantamento do instituto Real Time Big Data. Atualmente, a solução da companhia está presente em cerca de 30 cidades do país.

Ao longo do último ano, com o uso da tecnologia da Pax, forças de segurança já esclareceram mais de 2 mil casos criminais, entre homicídios, roubos à mão armada e furtos de veículos, em mais de 30 cidades brasileiras.

Para o sócio da Greenoaks, Andrew Cohen, a aposta na Pax tem um motivo simples: trata-se de uma empresa inovadora atuando em uma área prioritária para o setor público. Segundo ele, por décadas as forças de segurança tiveram dificuldade de acesso às tecnologias necessárias para gerar dados úteis ou agir com base nas informações que já possuíam.

No caso da Greenoaks, se trata de um fundo que não quer saber de apostas “pequenas”, bancando unicórnios como Revolut, Databricks, Scale AI, Stripe e outras. No Brasil, ela investiu em nomes como QuintoAndar e Cora.

“Acreditamos que a Pax está construindo a empresa que será referência em segurança pública na América Latina, e temos orgulho de atuar ao lado de David e do time nessa expansão pela região”, avalia Andrew.

O post Pax levanta US$ 40M para emplacar IA na segurança pública apareceu primeiro em Startups.