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fertilizacao embriao FIV embriologia Pesquisa brasileira sobre IA na escolha de embriões em tratamentos de fertilidade é publicada na Scientific Reports

A MAIA, plataforma de inteligência artificial desenvolvida no Brasil pela Huntington Medicina Reprodutiva para auxiliar embriologistas na seleção embrionária, foi descrita em um artigo publicado na Scientific Reports, periódico científico do grupo Nature. Segundo a criadora da solução, trata-se de uma “validação” de um “avanço tecnológico” e de um “passo estratégico para a ciência e a saúde reprodutiva no País”.

O artigo, intitulado MAIA platform for routine clinical testing: an artificial intelligence embryo selection tool developed to assist embryologists, é assinado por Mariana Nicolielo, Catherine Jacobs, Bruna Lourenço, Dóris Chéles, Mauricio Chehin, José Roberto Alegretti, Eduardo Motta e Aline Lorenzon, todos pesquisadores e especialistas do Huntington.

Segundo a empresa, a IA de seleção de embriões foi treinada com um banco de imagens ajustado às características demográficas e genéticas da população brasileira. Seria um diferencial relevante na comparação com tecnologias importadas, que não considerariam a diversidade local.

A MAIA foi treinada com 1.015 imagens de blastocistos de três centros de reprodução assistida em São Paulo e validada prospectivamente em 200 transferências de embrião único (SETs). A plataforma teria demonstrado 66,5% de acurácia global e 70,1% em casos eletivos, quando há mais de um embrião disponível para escolha.

A acurácia representa a capacidade da ferramenta de escolher, entre dois ou mais embriões, aquele com maior probabilidade de gerar uma gestação. Isso significa que cerca de sete a cada 10 casos, a escolha da IA correspondeu ao embrião que de fato resultou em gravidez.

O desempenho foi mais expressivo em situações em que a escolha do algoritmo divergiu da decisão do embriologista: nesses casos, a taxa de gravidez clínica chegou a 75% e a acurácia a 81,8%.

O projeto teve início em 2018, a partir de uma parceria entre a Huntington Medicina Reprodutiva, sob a liderança do médico Eduardo Motta, e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), representada pelos professores José Celso Rocha e Marcelo Nogueira. Anos de pesquisa e colaboração transformaram a ideia em projeto científico e, depois, na ferramenta aplicada nos laboratórios do Grupo Huntington.

“Nosso objetivo nunca foi substituir o embriologista, mas sim oferecer um recurso que traga consistência e reduza a subjetividade da decisão clínica. Ao treinar a MAIA com dados brasileiros, conseguimos desenvolver uma tecnologia adaptada à nossa realidade, que já mostra resultados concretos e pode encurtar o caminho até a gestação”, afirma em comunicado José Roberto Alegretti, diretor de embriologia do Grupo Huntington.

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