
Depois de anos à espera de um novo grande ciclo de investimentos, o mercado global de venture capital deve ver este ano um recorde inédito: 2026 tem tudo para ser o ano dos decacórnios, com a maior concentração de novas startups batendo a marca de US$ 10 bilhões em valuation.
Quem diz isso é o PitchBook, que em um levantamento já apontou 19 empresas americanas que atingiram o patamar entre janeiro e o meio de julho. O número já supera as 18 registradas em todo o ano passado, e se o ritmo se mantiver, o país deve ultrapassar o recorde histórico de 22 decacórnios em um único ano, marcado em 2021 durante o boom pós-pandemia.
Ao todo, os Estados Unidos hoje somam 63 decacórnios ativos, contra 53 no ano passado e apenas 26 em 2021.
Analisando as razões por trás dessa explosão, não é preciso fazer muito esforço para adivinhar o porquê. As startups de inteligência artificial dominam a nova safra: entre os nomes que cruzaram a marca em 2026 estão Shield AI, Cerebras, ElevenLabs, Harvey e Notion. A mais recente foi a SambaNova Systems (chips para inferência de IA), que atingiu US$ 11 bilhões na semana passada ao fechar uma série F de US$ 1 bilhão liderada pela General Atlantic.
Esses novos deals mostram que a onda de valorização vai bem além dos nomes bem conhecidos do mercado de IA, como OpenAI e Anthropic, que já eram decacórnios antes de 2026, mas aumentaram ainda mais seu valor de mercado captando fortunas neste ano.
A OpenAI fechou uma rodada de US$ 122 bilhões em março, chegando a um valuation de US$ 852 bilhões. E a Anthropic captou nada menos que US$ 115 bilhões distribuídos em três rodadas ao longo do primeiro semestre, sendo a última uma série H de US$ 65 bilhões fechada em maio, que colocou a empresa em US$ 965 bilhões e ultrapassou pela primeira vez a rival de Sam Altman.
Ainda segundo o PitchBook, do total de US$ 412,7 bilhões que os fundos de VC despejaram em startups americanas no primeiro semestre — valor que sozinho já supera todo o investido em 2025 (US$ 319,2 bilhões) — nada menos que US$ 355,9 bilhões, ou 86%, foram destinados a startups de IA. Mega-deals, definidos como rodadas de pelo menos US$ 100 milhões, corresponderam a 87,5% do total.
E em outros mercados?
Apesar da maior concentração de capital estar nos EUA, o boom não é só americano. A Europa também produziu uma safra própria de decacórnios em 2025 e 2026, ainda que em ritmo mais moderado.
Cinco empresas do Velho Continente cruzaram a barreira dos US$ 10 bilhões no período, entre elas a alemã Helsing (defesa e IA, avaliada em US$ 12 bilhões), a finlandesa Oura Health (fabricante do Oura Ring, wearable de saúde, em US$ 11 bilhões) e a francesa Mistral AI, que se consolidou como principal aposta europeia em modelos generativos de IA.
Já na América Latina, o cenário é bem diferente. Nenhuma startup da região cruzou o patamar dos US$ 10 bilhões em 2026 — na verdade, o único decacórnio latino-americano da história continua sendo o Nubank, que atingiu a marca ainda como companhia privada em 2019, antes do IPO. Nem mesmo a mexicana Kavak, que fechou em fevereiro uma série F de US$ 300 milhões liderada pela Andreessen Horowitz, conseguiu bater a marca, e seu valuation permaneceu em US$ 8,7 bilhões, mesmo patamar de 2021.
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