
A prefeitura do Rio de Janeiro lançou na segunda-feira (3) uma parceria com a X – The Moonshot Factory, laboratório de inovação da Alphabet, holding do Google. O acordo foi intermediado pela Empresa Municipal de Informática (IplanRio) e deve executar projetos de conectividade, sustentabilidade, energia e planejamento urbano.
A ideia, segundo a prefeitura, é tornar o Rio dono de uma “infraestrutura urbana guiada por inteligência artificial”.
O lançamento ocorreu durante evento no Porto Marvalley, com a participação do prefeito Eduardo Paes e do presidente da IplanRio, João Carabetta, além do CEO da X, Astro Teller. A X Development, antes conhecida como Google X, é uma divisão de estudo e pesquisa da Big Tech norte-americana responsável pelo que ela chama de projetos “moonshot”, tecnologias potencialmente capazes de tornar o mundo “um lugar radicalmente melhor”.
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Na solenidade, Paes disse ter visitado a empresa nos EUA e ter colocado o Rio de Janeiro “à disposição para a testagem de novas tecnologias”. “Estamos começando com quatro experiências: uma voltada para reciclagem de lixo, transformando-a num ativo econômico; outra voltada para planejamento de construções e licenciamento; uma outra que podemos levar internet de alta velocidade sem necessidade de fios; e uma em que levantamos toda a nossa rede de energia, fazendo com que ela seja mais estável, o que representa uma oportunidade econômica para o Rio”, disse o prefeito.
Esse último pilar tem como foco garantir a disponibilidade de eletricidade para a Rio AI City, hub de data centers alimentado por energia renovável anunciado em abril desse ano pela prefeitura da cidade. A promessa é que o complexo tenha capacidade inicial de 1,5 gigawatts (GW), com possibilidade de expansão para 3,2 GW.
A Tapestry, tecnologia da X para redes elétricas, será usada na cooperação. A plataforma alimentada por IA ajuda a construir um sistema de energia mais “confiável e resiliente” para gerenciar, planejar e operar a rede elétrica. Utiliza visão computacional, aprendizado de máquina e IA para mapear a rede, sinalizando equipamentos desatualizados ou danificados para manutenção proativa.
“Estamos trazendo quatro tecnologias, em parceria com a Prefeitura, com foco na visão do Rio AI City. (…) Nós nunca tivemos uma parceria como essa. Estamos muito entusiasmados com a visão do Rio AI City e acreditamos que podemos ajudar nesse processo, que essa parceria pode ser um modelo para como outras cidades do mundo podem usar a tecnologia”, disse no evento Astro Teller.
Conectividade, IA e lixo
A parceria também inclui a implementação de uma malha de rede óptica sem fio da Taara, outra empresa da X. Ela usa feixes de luz para transmitir dados em velocidades equivalentes à fibra óptica — ou até 20 Gbps — em longas distâncias, sem a necessidade de cabos subterrâneos. A promessa é fornecer acesso à internet em áreas onde não é economicamente viável, ou muito difícil, instalar fibra. Por exemplo, áreas urbanas densas, sobre rios e estreitos de mar, ou em áreas onde é inseguro cavar trincheiras para cabos.
No Rio, a Taara deve conectar escolas, hospitais e instalações públicas em áreas de difícil acesso, além de sistemas de segurança e emergência. Também, no futuro, conectar serviços críticos como hospitais, escolas municipais e clínicas de saúde. Alguns desses links também serão usados para estabelecer um sistema de comunicação de resposta rápida para desastres.
Outro aspecto da parceria é o projeto Anori, que utiliza inteligência artificial para tornar projetos arquitetônicos e construções mais “rápidos, eficientes e sustentáveis”. Integra dados ambientais, regulatórios e de infraestrutura em um ambiente digital unificado para desenvolvedores, arquitetos, urbanistas, reguladores etc.
A ideia é melhorar o processo de licenciamento urbano. A plataforma digitalizará a legislação urbanística do município, permitindo que projetos arquitetônicos sejam gerados e validados automaticamente. O objetivo é reduzir o tempo de análise e aprovação “de meses para minutos”.
Por último, o projeto Materra buscará reduzir o desperdício ao aplicar IA e análise molecular ao lixo. A ideia é modernizar a triagem de resíduos recicláveis em parceria com a Comlurb. Segundo as partes, será possível aumentar a eficiência da reciclagem e ajudar o município a atingir metas de sustentabilidade, incluindo elevação da taxa de reciclagem de 1,4% para 35% até 2030 e 80% até 2050.
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