
O avanço da inteligência artificial (IA) no ambiente corporativo brasileiro criou um descompasso entre expectativa e capacidade real de execução. É o que observa Cinthia Leal, líder de pré-vendas de tecnologia híbrida da HPE – Hewlett Packard Enterprise, após uma maratona de conversas com CIOs de grandes grupos empresariais.
“Quase todos os executivos relatam pressão do board para entregar algo em IA, mas pouquíssimos sabem exatamente onde começar”, afirma. O cenário, comenta, reflete uma corrida marcada por urgência, fragmentação e falta de clareza estratégica.
Além disso, questões estruturais, como cultura organizacional conservadora, limitações orçamentárias, pouca experiência em mensurar o retorno do investimento (ROI) de IA e baixa familiaridade dos times com modelos generativos, dificultam o avanço.
Diante desse contexto, a HPE redesenhou seu portfólio com foco em três pilares: inteligência artificial, cloud híbrida e networking orientado por IA. A integração da Aruba com a Juniper, adquirida em 2024 pela HPE, adiciona um componente crítico: operações de rede guiadas por agentes autônomos, aderentes ao movimento global de AI-driven networking.
Segundo a executiva, o destaque estratégico é o HPE GreenLake Intelligence, camada que reúne agentes de IA para FinOps, capacidade, rede, storage, segurança e observabilidade multicloud. Construída sobre aquisições como OpsRamp, que reforçou observabilidade e gestão híbrida, e Morpheus, para automação, provisionamento e FinOps, a plataforma mira o principal desafio atual: dar visibilidade, previsibilidade e governança às decisões que sustentam projetos de IA.
Para o CIO, a proposta reduz complexidade e substitui múltiplas ferramentas, um ponto sensível em um momento de racionalização orçamentária.
Virtualização própria
Um dos movimentos mais concretos da HPE para 2026 é o lançamento de uma oferta própria de virtualização. A estratégia responde a uma grande demanda de mercado, mas também à instabilidade causada no mercado de virtualização, como a aquisição da VMware pela Broadcom, que elevou preços, mudou contratos e abriu espaço competitivo.
Segundo Cinthia, clientes de médio porte buscam alternativas seguras, suportadas e com custo previsível. Além disso, o portfólio próprio reduz a dependência da HPE de tecnologias externas em soluções de hiperconvergência e nuvem privada, uma fragilidade exposta pelo novo cenário global do setor.
Na prática, a virtualização passa a ser um elemento-chave para que empresas sustentem workloads críticos de IA em ambientes híbridos sem rupturas de orçamento.
Fábrica de IA
A HPE também avança em uma fábrica de IA para o mercado enterprise, construída em parceria com a NVIDIA. O stack entrega hardware, GPU, storage e software integrados, com modelos pré-treinados para saúde, manufatura, transporte, documentação e conteúdo.
O raciocínio é tirar o CIO da equação “montar infraestrutura + integrar software + treinar modelos” e devolvê-lo ao centro do impacto no negócio. “O objetivo é que o desenvolvedor entre produtivo no dia zero. Abrir, customizar e entregar”, conta Cinthia. A estratégia visa reduzir shadow IT, acelerar ciclos de implantação e diminuir o custo de especialistas altamente demandados.
Foco para 2026
Com o novo ano fiscal iniciado, a HPE equilibra duas frentes. A primeira é modernizar sua base, pressionada por alternativas à virtualização tradicional, e buscar novos logos em setores que aceleraram a agenda de IA. A empresa mantém metas claras de hunting e cross-sell entre as unidades de negócio, apoiada por um modelo de parceria consolidado e por account managers dedicados a contas estratégicas.
“A combinação de novos stacks de IA, observabilidade integrada, virtualização própria e programas de letramento posiciona a HPE como uma fornecedora de infraestrutura ‘pronta para IA’”, acredita a executiva, completando ser esta uma demanda cada vez mais explícita entre CIOs que precisam entregar resultados rapidamente, mesmo em ambientes com maturidade desigual.
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