
Durante três dias, jovens de perfis completamente diferentes, como futuros médicos, economistas, empreendedores e profissionais de tecnologia, mergulham em uma experiência que tem menos a ver com escolher uma carreira e mais com ampliar o repertório sobre o mundo que estão prestes a enfrentar. Esse é o propósito do Tomorrow Learning, programa da StartSe que acompanha de perto como a tecnologia, especialmente a inteligência artificial (IA), está transformando negócios, profissões e decisões.
Tive a oportunidade de acompanhar um dos três dias do programa e a sensação é de que a tecnologia deixa de ser conceito distante e passa a ser algo palpável, observável e, sobretudo, possível para a nova geração de talentos que vai ingressar no mercado.
O formato do Tomorrow Learning combina conteúdo próprio da StartSe, visitas a grandes organizações e um desafio prático. Nele, os alunos desenvolvem, em grupo, um projeto baseado em inteligência artificial. No primeiro dia, escolhem um problema real; no segundo, aprendem a estruturar soluções; no terceiro, apresentam seus projetos a uma banca avaliadora.
Segundo Maurício Benvenutti, sócio da StartSe, a proposta do programa é provocar mudança de mentalidade em jovens de 15 anos a 20 anos. “Nos inspiramos nos programas imersivos que temos no Vale do Silício, nos Estados Unidos, e na China, mas traduzimos isso para uma realidade local, prática e transformadora. O objetivo não é formar programadores em três dias, mas despertar um olhar diferente sobre como a tecnologia pode resolver problemas em qualquer área”, explica.
Oracle, Morumbis e tecnologia em movimento
No dia que acompanhei o curso, a turma se dividiu para visitar dois ambientes bastante distintos. Metade dos alunos passou o período no centro de inovação da Oracle, onde puderam ver aplicações concretas de tecnologias emergentes, dados e inteligência artificial em operação. A outra parte do grupo seguiu para o Morumbis, entendendo como tecnologia, dados e inovação também estão presentes no esporte, na gestão e na experiência do público.
O exercício é mostrar que a tecnologia não vive isolada em laboratórios ou startups, mas atravessa setores, mercados e contextos completamente diferentes.
Futuro de muitas possibilidades
O depoimento de Bernardo Freire, estudante do ensino médio e participante do programa, traduz o impacto da experiência. Ele conta que chegou ao Tomorrow Learning movido pela indicação da mãe e pela curiosidade. Ele revela que saiu do curso com a cabeça cheia de novas perguntas e caminhos possíveis.
“Quero fazer economia e depois administração, porque tenho vontade de empreender. Mas aqui eu entendi como a tecnologia está por trás do crescimento das empresas, como elas se reinventam o tempo todo. A inteligência artificial abriu minha mente para coisas que eu nem imaginava”, afirma.
Freire não fala em trocar de área, mas em integrar. Para ele, a tecnologia passa a ser uma camada essencial, independentemente da profissão escolhida. “Eu aprendi que não dá para ficar parado. O importante é começar, arriscar, mesmo sem ter tudo pronto”, resume.
Em um momento em que muitos jovens sentem a pressão de “escolher certo” muito cedo ou trilhar o caminho escolhido pelos pais, o programa propõe entender como o mundo funciona, como a tecnologia atravessa todas as áreas e como o pensamento crítico e criativo será indispensável no futuro.
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