
Investir em Bitcoin e guardar dinheiro na caderneta de poupança podem parecer estratégias de investimento contraditórias, mas é isso que faz quase metade dos brasileiros que têm criptomoedas na carteira. O dado vem da pesquisa “Panorama do Investidor Brasileiro: ativos digitais e o futuro dos investimentos”, lançada nesta quarta-feira (14) pelo Mercado Bitcoin (MB) em parceria com a Opinion Box.
De acordo com a pesquisa, entre os produtos financeiros mais utilizados pelos investidores que também têm cripto, o CDB lidera com 60%. Tesouro Direto e poupança aparecem com 46% cada. Na renda variável, ações lideram com 51%, fundos de investimento aparecem com 45% e fundos imobiliários com 46%.
Entre os investidores que não possuem cripto na carteira, a poupança está ainda mais presente, em 49% das pessoas ouvidas pela pesquisa. O levantamento mostra que o apetite ao risco, nesse caso, é bem menor. Apenas 26% investem em ações, 24% em fundos imobiliários, 27% em fundos de investimento. Mesmo na renda fixa, apenas 30% desses investidores têm títulos do Tesouro e 56% têm CDBs.
Mas a combinação entre poupança e criptomoedas não é por acaso. Ela reflete um perfil que a pesquisa identifica como majoritariamente da classe C — especialmente C1, com 45% dos respondentes — e concentrado na faixa etária de 30 a 49 anos, que representa 53% da amostra. São investidores que chegaram ao mercado financeiro pelos produtos mais conservadores e foram adicionando exposição ao longo do tempo, sem abrir mão da segurança que a poupança representa, mesmo com seus rendimentos historicamente modestos.
A pesquisa mostra que, no recorte geral dos investidores brasileiros, segurança supera rentabilidade como critério de escolha: 68% dizem buscar segurança ao decidir em que investir, contra 53% que priorizam retorno. Entre os investidores de cripto, no entanto, o primeiro lugar muda — 70% citam diversificação como principal motivação.
O levantamento ouviu 1.009 pessoas entre 10 e 15 de abril de 2026, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%. O público era composto por homens e mulheres com mais de 18 anos, das classes ABC, residentes em todo o Brasil, e que possuem algum tipo de investimento.
A metodologia garante representatividade regional, com 51% dos entrevistados no Sudeste, 20% no Sul, 15% no Nordeste, 8% no Centro-Oeste e 6% no Norte.
Crescimento puxado pela Geração Z
O estudo mostrou que o mercado de criptomoedas tende a crescer no Brasil. Apenas 16% dos investidores em geral têm criptomoedas atualmente — mas, entre quem ainda não investiu, 56% afirmam ter interesse em fazer isso no futuro. A nova geração puxa esse número: entre os entrevistados de 18 a 29 anos que nunca investiram em cripto, 52% pretendem começar. A geração mais velha, acima dos 50 anos, é a mais resistente: apenas 41% desse grupo sem experiência em cripto demonstram intenção de entrar.
Dados internos do Mercado Bitcoin revelam que 12% dos novos clientes têm menos de 18 anos — um reflexo das novas regras que permitem a abertura de contas por menores com autorização dos responsáveis — e que 23% de toda a base tem até 28 anos.
Esse crescimento no interesse também é movido, entre outros fatores, por um cenário regulatório favorável ao setor. Em 2023, o país aprovou o Marco Legal dos Criptoativos, e em 2025 foram criadas as Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs), estrutura que organiza a atuação das corretoras no país. Hoje, o Brasil é o 5º maior mercado cripto do mundo, segundo o Global Crypto Adoption Index do primeiro trimestre de 2026 produzido pela TRM — atrás apenas de Estados Unidos, Coreia do Sul, Rússia e Índia.
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