
A fintech britânica Revolut está ampliando sua aposta no Brasil para disputar espaço no competitivo mercado de cartões e serviços financeiros. Em um evento realizado em São Paulo na última quarta-feira (4), a empresa anunciou uma série de novidades que incluem crédito em todas as categorias de cartão, investimentos no mercado norte-americano e um novo plano premium com benefícios voltados para quem viaja ou investe no exterior.
A estratégia marca uma nova fase da operação brasileira da companhia, que já soma mais de 70 milhões de clientes globalmente e presença em mais de 40 países. A ambição é transformar o aplicativo em uma plataforma financeira completa, com produtos para o dia a dia e também para uso internacional.
“Estamos focados em atender o público que viaja e quer trocar dinheiro ao redor do mundo de forma fácil, barata e segura. Mas, para alcançar a principalidade no Brasil, precisávamos completar a plataforma com soluções que gerem valor no dia a dia”, disse Glauber Mota, CEO da Revolut no Brasil, durante o evento.
Segundo o executivo, a ambição global da empresa é se tornar a principal solução financeira para pessoas e empresas em mais de 100 países.
O movimento acontece em um momento em que a Revolut acelera sua expansão internacional e intensifica a disputa com o Nubank em diferentes mercados. Nesta quinta-feira (5), a fintech britânica anunciou que protocolou um pedido de licença bancária nos Estados Unidos junto ao Office of the Comptroller of the Currency e à Federal Deposit Insurance Corporation, passo que permitiria operar diretamente no sistema financeiro do país. O avanço ocorre pouco depois de o Nubank receber aprovação condicional para criar um banco nacional no mercado norte-americano.
Crédito para todos os planos
Uma das principais novidades é a ampliação da oferta de crédito. Após iniciar testes no plano de entrada, a Revolut passará a oferecer cartão de crédito para clientes elegíveis em todas as categorias da plataforma – Standard, Plus, Premium e Metal.
A proposta da fintech é separar duas dimensões que normalmente caminham juntas no mercado brasileiro: acesso a benefícios premium e limite de crédito. Em geral, cartões com vantagens como salas VIP e programas de milhas mais robustos exigem renda elevada ou relacionamento com o banco. No modelo da Revolut, o cliente escolhe o plano pelos benefícios, enquanto o limite continua sendo definido pela análise de crédito.
“Todos os nossos planos passam a ter agora a oferta de cartão de crédito, mas de um jeito muito mais acessível. Você pode ter os benefícios mesmo que não queira crédito, porque eles também existem no débito”, afirmou Glauber. Segundo ele, o modelo busca reduzir barreiras de entrada típicas do mercado de cartões premium, permitindo que clientes escolham planos pelos benefícios oferecidos, independentemente da renda ou do limite aprovado.
Aposta no segmento premium
No topo da oferta está o novo plano Ultra, categoria mais premium da fintech – já disponível em outros mercados e que agora chega ao Brasil.
O cartão oferece até três pontos por dólar gasto no crédito, acesso ilimitado a mais de mil salas VIP em aeroportos ao redor do mundo, transferências internacionais com condições diferenciadas e atendimento prioritário. O pacote inclui ainda um conjunto de assinaturas de serviços, como Financial Times, Duolingo, ClassPass e WeWork, cujo valor agregado pode ultrapassar R$ 14 mil por ano.
Outro diferencial é a política de câmbio: os planos contam com cotas mensais com spread zero e isenção de IOF, que variam conforme a categoria. Segundo Glauber Mota, só o benefício de câmbio já pode compensar o custo do plano. “Aqui você tem até R$ 20 mil de câmbio sem IOF, sem taxa. Só nisso você mais do que compensa o preço da mensalidade”, pontuou o CEO.
Nos planos mais avançados, a fintech também passa a oferecer “caixinhas” com rendimento de até 120% do CDI e liquidez diária.
Pontos também no débito
Outro movimento da Revolut para se diferenciar na disputa com bancos e fintechs é expandir benefícios para usuários que utilizam o cartão de débito. Com o programa RevPoints, os clientes passam a acumular pontos também em compras feitas no débito, tanto em reais quanto em moeda estrangeira. Os pontos podem ser trocados por passagens aéreas, hospedagens ou experiências dentro do aplicativo.
Entre as companhias aéreas integradas ao programa estão Qatar Airways, Iberia e British Airways. A empresa afirma que negocia a inclusão de companhias brasileiras nos próximos meses.
Investimentos globais
A empresa também está ampliando sua oferta de investimentos, com acesso a ações e ETFs listados nos Estados Unidos diretamente pelo aplicativo. A proposta é permitir que clientes brasileiros invistam no mercado norte-americano sem precisar recorrer a plataformas externas, integrando conta global, conversão de moeda e investimentos em uma única experiência. Os usuários poderão acompanhar análises das empresas, receber alertas de preço e acessar relatórios financeiros diretamente no app.
A corrida pela principalidade
A expansão de produtos no Brasil acompanha a estratégia global da empresa de se tornar uma plataforma financeira completa. Hoje, a Revolut combina receitas vindas de cartões, câmbio, investimentos, assinaturas e crédito – modelo que ajudou a companhia a registrar US$ 4 bilhões em receita em 2024, com lucro antes de impostos de US$ 1,4 bilhão.
Para a empresa, o Brasil é um mercado estratégico nessa expansão, ao lado do México, que também faz parte da estratégia de crescimento na América Latina. “Estamos construindo o melhor aplicativo para o brasileiro usar no Brasil e no exterior”, disse Glauber.
Cartão especial
Para marcar o novo momento da marca no Brasil, a fintech também destacou sua parceria com a equipe Audi da Formula 1, rebatizada de Audi Revolut. A escuderia terá como piloto o brasileiro Gabriel Bortoleto, e a Revolut lançará um cartão especial em titânio inspirado na equipe.
“Essa é uma forma de apresentar o produto de maneira diferente para o público brasileiro”, disse Glauber. Segundo o executivo, até agora a empresa investiu pouco em marketing no país, e boa parte do crescimento veio de forma orgânica, impulsionado pela indicação de clientes.
Agora, a fintech prepara sua primeira campanha de televisão no país, aproveitando a popularidade da F1 entre os fãs brasileiros.
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