
A SAP estuda retomar negociações para adquirir a norte-americana BlackLine, especializada em automação de processos contábeis e financeiros, segundo informações obtidas pela Reuters. A alemã já havia feito uma proposta formal em junho, de US$ 66 por ação, valor que avaliava a companhia em cerca de US$ 4,5 bilhões, mas a oferta foi rejeitada. Agora, a empresa analisa uma nova abordagem, possivelmente em valores mais altos.
A transação, caso concretizada, fortaleceria o braço de finanças em nuvem da SAP, ampliando a integração com sua plataforma S/4HANA, que ainda enfrenta desafios na migração de clientes corporativos, de acordo com informações obtidas pela Reuters. Analistas apontam que a compra ajudaria a SAP a simplificar essa transição e tornar seu ecossistema de soluções financeiras mais competitivo frente a rivais como Oracle e Workday.
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A BlackLine é uma das principais parceiras da SAP. Cerca de 30% da receita anual da empresa norte-americana vem da revenda de suas soluções pela SAP. A relação é considerada estratégica e de longa data. O documento enviado aos coCEOs Theresa Tucker, fundadora que deixou o cargo recentemente, e Owen Ryan, executivos da SAP, como o CFO Dominik Asam e o diretor de investimentos Georg Kniese, classificou a aquisição como uma “extensão lógica” dessa parceria.
Com sede em Los Angeles, a BlackLine oferece softwares em nuvem que automatizam rotinas contábeis antes realizadas em planilhas, reduzindo erros e aumentando a eficiência das áreas financeiras. Sua tecnologia limpa e organiza registros antes da migração de dados para novas plataformas, uma função alinhada à estratégia da SAP de consolidar sua base de clientes no ambiente HANA.
Resistência inicial e novo cálculo
Segundo fontes próximas às negociações ouvidas pela Reuters, a SAP contou com a assessoria do JPMorgan na primeira tentativa e afirmou não precisar de financiamento externo para concluir a compra. O valor de US$ 66 por ação representava um prêmio de 31% sobre a média de 60 dias das ações da BlackLine. Ainda assim, o conselho da americana rejeitou a proposta.
Após a divulgação da notícia, as ações da BlackLine subiram até 12% na Nasdaq, fechando o pregão com alta de 3,8%. Analistas do Citi sugerem que uma nova oferta “entre US$ 70 e US$ 75 por ação” teria mais chances de ser aceita. A avaliação considera o desempenho abaixo da média do papel e a pressão de investidores ativistas para destravar valor, além da reputação da BlackLine como fornecedora de “produto de excelência” em automação contábil.
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