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Uma criança sentada no chão segura um smartphone cuja tela exibe um cadeado e um teclado numérico de senha, sugerindo uma interface de bloqueio ou segurança digital. A cena é iluminada suavemente e o foco está no dispositivo.

*Por Guilherme Aquino

A segurança no ambiente digital se tornou um dos maiores desafios da atualidade. À medida que nossas rotinas migram para o online, também cresce a exposição de informações pessoais, especialmente de crianças e adolescentes. Se antes proteger as crianças significava saber com quem brincavam na rua e a que horas voltariam para casa, hoje essa “rua” mudou de lugar: está nas redes sociais, nos jogos online, nos aplicativos de mensagem e, com o avanço acelerado, nas ferramentas de inteligência artificial.

O cuidado com dados sensíveis das crianças e adolescentes não é apenas uma questão de privacidade, mas de segurança. O relatório “Cenário Global de Ameaças de 2025” do FortiGuard Labs, realizado pela Fortinet, identificou 314,8 bilhões de atividades maliciosas direcionadas ao Brasil no primeiro semestre de 2025. Esse número é alarmante e mostra que o risco digital não é abstrato nem limitado a empresas, ele também atinge os mais jovens, que acessam plataformas digitais, por exemplo, jogos online.

São nessas plataformas que ataques de phishing, roubo de credenciais e exploração de vulnerabilidades podem comprometer não só contas e senhas, mas informações pessoais que circulam na Internet, tornando crianças e adolescentes ainda mais vulneráveis.

Recentemente, um caso ganhou repercussão nacional com uma reportagem veiculada pelo Fantástico. Um pai monitorava os dispositivos da criança e, apesar do acompanhamento constante, ele percebeu que não monitorava o mais importante: como a filha compartilhava seus dados e se relacionava online. O episódio evidencia como a preocupação com a privacidade dos filhos não deve excluir o cuidado educativo. Monitorar sem educar sobre segurança digital é insuficiente; pais precisam dialogar, orientar e participar ativamente do universo online de seus filhos.

Ferramentas de controle parental ajudam, mas não resolvem tudo

Não existe urgência para que crianças e pré-adolescentes estejam nas redes sociais. Muitos especialistas recomendam o uso apenas a partir dos 16 anos, justamente porque os impactos emocionais variam conforme o desenvolvimento.

Entre meninas, o problema costuma aparecer na forma de comparações constantes, pressão estética e exposição a conteúdos inadequados, afetando autoestima e saúde mental. Entre meninos, é comum o vício em jogos digitais, baseados em recompensas rápidas, que reduzem a tolerância à frustração e prejudicam a motivação para desafios reais da vida adulta. Quando o contato com redes e jogos acontece cedo demais, há um risco silencioso, pois o adolescente passa a buscar no ambiente digital o conforto que não encontra fora dele.

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A analogia entre brincar na rua e navegar na Internet ajuda a entender melhor o cenário: assim como supervisionamos os filhos no mundo físico, a proteção digital é supervisionar a circulação de informações, garantindo que eles usufruam do mundo online com segurança. Incentivar atividades offline, dialogar e criar rotinas conscientes, como trajetos sem celular no carro ou jogos com tempo limitado, ajuda a desenvolver hábitos digitais saudáveis e a proteger dados pessoais desde cedo.

E a inteligência artificial, onde entra?

O uso crescente de ferramentas de IA nas escolas trouxe uma nova preocupação para os pais. Assim como o corretor automático mudou a forma como escrevemos, as IAs generativas agora entregam respostas “prontas”. Instituições têm discutido como a educação digital deve caminhar lado a lado com a formação crítica, mostrando que a tecnologia pode ser aliada no aprendizado, mas nunca substituta do raciocínio humano.

O risco não está na tecnologia em si, mas na transferência total da inteligência para a ferramenta. Se o adolescente usa IA para pensar por ele, deixa de aprender a construir pensamento crítico e ainda pode reproduzir erros sem perceber. O papel dos pais e educadores é orientar que a IA pode auxiliar na hora de estudar, mas não substitui o aprendizado. É uma ferramenta, então saber perguntar e conferir é tão importante quanto receber respostas.

Segurança digital não é um problema técnico. É um desafio humano, emocional e educacional. Pais não precisam ser especialistas em tecnologia. Precisam estar presentes, curiosos e abertos ao diálogo. Precisam entender que o cuidado começa quando o filho fecha a porta do quarto com um celular na mão.

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