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Anderson Figueiredp, especialista e consultor (Imagem: divulgação) Dados, Na Mata, IT Forum

Não existe atalho tecnológico para a falta de fundamento. Durante a primeira edição do IT Forum Na Mata Vendas, realizada nos dias 30 e 31 de março no Distrito Itaqui, o especialista e consultor Anderson Figueiredo conduziu uma análise crítica sobre como a transformação digital tem sido aplicada na área comercial.

O veredito é pragmático: sem dados higienizados e governança estabelecida, o investimento em inteligência artificial (IA) corre o risco de se tornar apenas um custo adicional, sem retorno real.

O mito da IA como solução para processos falhos

Um dos pontos centrais da fala de Figueiredo foi o “encantamento” do mercado com a IA generativa em contraste com a realidade operacional das empresas. “IA não resolve problema de processo”, afirmou categoricamente. O consultor destacou que, embora 83% das empresas estejam em algum estágio de implementação ou estudo de IA, a maioria ainda opera em níveis baixos de maturidade.

Segundo dados apresentados pelo consultor, cerca de 50% das lideranças ainda enfrentam dificuldades primárias, como estabelecer casos de uso claros para a tecnologia. “Muitas vezes, a empresa quer implementar IA, mas não consegue sequer oferecer um caso de uso que faça sentido para o negócio”, pontuou.

Veja também: Renata Marques: RH e TI podem se fundir na era dos agentes de IA | IT Forum Líderes

Crise de maturidade analítica

Figueiredo trouxe uma provocação sobre a diferença entre Business Intelligence (BI) e analítico avançado. Para ele, o BI tradicional funciona como uma “foto”, um registro estático do passado, enquanto o analítico real deve funcionar como um “filme”, permitindo prever tendências e comportamentos.

A realidade, porém, é que a maturidade analítica média do mercado brasileiro ainda está próxima dos 42%. “Temos um abismo entre ter uma ferramenta de visualização de dados e ter rotinas analíticas que realmente guiam a tomada de decisão”, alertou. Figueiredo lembrou que a discussão sobre limpeza e higienização de dados não é nova, ele próprio publica sobre o tema há 16 anos, mas segue sendo o principal gargalo para o sucesso comercial.

Governança e a tríade de prioridades

Para 2026, as prioridades de investimento continuam encabeçadas por três pilares que, segundo o consultor, deveriam ser indissociáveis: segurança, dados e IA.

Ele destacou que a cibersegurança permanece no topo das preocupações dos CIOs e diretores comerciais há duas décadas, mas que o mercado aprendeu, da pior forma possível, que a proteção de dados é uma questão de sobrevivência do negócio, não apenas técnica.

Ao encerrar, o consultor deixou uma lição para as lideranças de vendas presentes: antes de buscar a próxima ferramenta da moda, as empresas precisam fixar as bases. “Tem que gastar muito com gestão de dados. Se os dados forem ruins, a IA vai apenas automatizar o erro e a ineficiência”, concluiu.

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