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Eduardo Gallo, presidente da Service IT, sentado atrás de uma mesa de escritório com laptop, caderno e caneta, posando para foto com vista panorâmica da cidade ao fundo e prêmios e livros sobre a mesa lateral.

Em meados da década de 1990, a IBM passou por uma transformação importante de seu modelo de vendas. Pressionada pelo avanço de concorrentes, a gigante global de tecnologia deixou de lado a centralização para estabelecer programas de canais que ampliariam sua capilaridade e cobertura do mercado. O Brasil não foi exceção.

Fundada em 1995, em Porto Alegre, a Service IT foi uma das primeiras empresas nacionais a pegar carona nessa transformação. Com um grupo de sócios formado por quatro ex-executivos da IBM, a companhia aproveitou o vínculo próximo com a Big Blue para oferecer serviços de tecnologia com alta expertise técnica e conquistar clientes em ritmo acelerado.

“Ao longo da nossa história, tivemos, muitas vezes, profissionais que conheciam determinados produtos melhor do que os próprios fabricantes”, relembra Eduardo Gallo, presidente e cofundador da Service IT, em conversa com o IT Forum. Neste mês de agosto, a empresa celebra três décadas. Agora, se prepara para um plano ambicioso de expansão geográfica para alcançar novos mercados..

Service IT põe Nordeste e Brasília no radar

A Service IT nunca foi estranha à expansões geográficas. Depois de iniciar as operações em Porto Alegre, abriu unidades no Paraná (1997) e em São Paulo (1998). Na virada do milênio, chegou à Argentina, em 2001. Nos anos seguintes, ampliou a presença no Rio de Janeiro (2007), no Chile (2014) e nos Estados Unidos (2016). “Quando a gente montou a empresa, logo no início já partimos para outros mercados. Foi um movimento que ajudou a empresa a se fortalecer tecnicamente e comercialmente”, explica Gallo. Agora, o plano é ganhar mais espaço dentro de novos mercados dentro do Brasil.

O Nordeste é um dos objetivos principais. A empresa já atua em Salvador, na Bahia, há três anos e planeja usar a cidade como base para a expansão. Fortaleza, no Ceará, e, no futuro, Recife, no Pernambuco, são objetivos. “Se você perguntar para qualquer fabricante, todos reclamam da baixa cobertura no Nordeste. Faltam parceiros e estrutura para atendimento. Decidimos apostar e o retorno tem sido positivo”, explica Gallo. A expectativa é fortalecer a presença tanto no mercado privado, atendendo grandes empresas, quanto no setor público, que também tem aumentado seus investimentos em tecnologia.

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Brasília é outra meta. Como conta o presidente da companhia, essa será a segunda investida da empresa para se firmar na capital federal. A primeira ocorreu no fim dos anos 1990, motivada por projetos que surgiram na esteira da privatização das telecomunicações no Brasil, mas a falta de experiência com o mercado público levou ao encerramento das operações. “Naquela época, não tínhamos conhecimento para atuar com clientes do governo. Hoje, cerca de 25% do nosso resultado vem do setor público, então estamos mais preparados para esse ambiente”, conta o executivo.

Um dos principais projetos recentes da companhia no setor público foi com os Correios. O projeto consistiu na migração e gerenciamento da plataforma de banco de dados em nuvem privada Oracle da empresa pública. Um dos ganhos foi mais estabilidade e performance em processos internos da instituição, que aumentou a velocidade dos processos da folha de pagamento e cálculo de benefícios em 20 vezes.

Cibersegurança e inovação

Além da expansão geográfica, a Service IT busca novos vetores de crescimento com a expansão de portfólio. Exemplo disso é a área de cibersegurança. Em 2017, a empresa realizou sua única aquisição da história, da Defenda, empresa de segurança da informação de São Leopoldo (RS), hoje rebatizada de Service IT Security.

A unidade passou de um faturamento anual de R$ 1 milhão para R$ 50 milhões em cinco anos. O time também passou de cerca de 10 para quase 100 profissionais, e hoje a unidade representa pouco mais de 30% da receita total do grupo.

A área segue como a de maior crescimento dentro da companhia e está no centro das discussões sobre expansão via fusões e aquisições. Segundo Gallo, o mercado de segurança ainda deve ter um período de forte crescimento antes de se estabilizar. “Cibersegurança ainda está em plena expansão. Eu acho que tem mais uns cinco anos em que ela vai crescer mais forte do que o resto do mercado. Depois vai virar commodity, que nem infraestrutura”, anota.

Além do investimento em ciber, a Service IT estruturou uma nova unidade dedicada à inovação, reunindo ferramentas e aplicações criadas internamente para uso próprio, mas que também podem se tornar produtos comerciais. A ideia surgiu a partir de iniciativas isoladas dentro das equipes técnicas e ganhou força com a participação dos sócios da área de segurança, especialistas em tecnologia e desenvolvimento.

“Quando compramos a Defenda, trouxemos dois sócios originais para a operação. Um deles, junto com o [Fernando] Raupp, [cofundador da Service IT] que é meu sócio mais técnico, começou a criar uma unidade de negócios de inovação dentro da empresa. Esse negócio começou a desenvolver produtos”, explica Gallo.

Hoje, essa área concentra 12 aplicações em desenvolvimento. Duas delas já se destacam. A primeira é uma ferramenta de FinOps, voltada para gestão de custos e otimização do uso de nuvem, que também pode ser aplicada a ambientes on-premises.Outra aplicação utiliza inteligência artificial para monitorar ambientes, prever incidentes e automatizar respostas

Segundo o presidente, a lógica é aproveitar a experiência acumulada no atendimento a clientes para gerar soluções com potencial de mercado, sempre com a possibilidade de integrá-las ao portfólio comercial. ”A empresa que a gente construiu está sendo feita para durar”, finaliza.

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