
A ServiceNow intensificou sua agenda de aquisições e investimentos em 2025, acumulando desembolsos estimados em pelo menos US$ 12 bilhões ao longo do ano. O movimento marca uma mudança relevante no ritmo de negócios da companhia e reacendeu discussões entre analistas e investidores sobre o papel das fusões e aquisições como motor de crescimento, especialmente em um cenário de maior pressão competitiva no mercado de software corporativo.
O ponto mais visível dessa estratégia foi o anúncio da compra da startup de cibersegurança Armis por US$ 7,75 bilhões, a maior aquisição já realizada pela ServiceNow. A empresa adquirida é especializada em identificar, monitorar e proteger dispositivos conectados em ambientes corporativos, uma capacidade que se conecta diretamente ao portfólio da compradora, focado em gestão de operações de TI e fluxos de trabalho empresariais.
A transação com a Armis ocorreu pouco depois da conclusão da aquisição da Moveworks, por cerca de US$ 2,8 bilhões, e de um investimento de aproximadamente US$ 750 milhões na Genesys, fornecedora de soluções para contact centers. Além dessas operações, a ServiceNow fechou outros seis acordos ao longo do ano, sem divulgação de valores.
O volume e a frequência dos negócios chamaram a atenção do mercado por envolverem diretamente o histórico de seu CEO, Bill McDermott, que comandou a SAP durante um período marcado por grandes aquisições na década passada. À época, algumas dessas operações foram recebidas com cautela por investidores, que questionavam os impactos na integração e na previsibilidade do crescimento.
Nova era na ServiceNow
Na ServiceNow, McDermott vinha sinalizando nos últimos anos uma preferência por crescimento orgânico e aquisições pontuais, de menor porte, conhecidas no mercado como “tuck-ins”. Em declarações anteriores, executivos da empresa destacaram que a estratégia priorizava expansão via inovação interna, com compras seletivas apenas para complementar capacidades específicas.
O novo ciclo de aquisições, no entanto, ocorre em um contexto de maior competição no setor de software de aplicações, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial generativa. Apesar de a ServiceNow ter incorporado recursos de IA aos seus produtos, analistas observam que o ritmo de crescimento do mercado como um todo tem desacelerado, aumentando a sensibilidade dos investidores a movimentos considerados mais agressivos.
Relatórios de mercado, destacados pela Bloomberg, apontam que as ações da empresa vinham acumulando queda ao longo de 2025 antes mesmo do anúncio da compra da Armis, refletindo preocupações com a evolução da receita. Analistas do **RBC Capital Markets** indicaram que parte do mercado teme que aquisições de grande porte sejam usadas para compensar uma desaceleração do crescimento orgânico.
Outras casas de análise também passaram a comparar o momento atual da ServiceNow com ciclos anteriores de consolidação no setor. Em relatórios recentes, analistas do Guggenheim classificaram o atual movimento como um possível retorno a estratégias de crescimento inorgânico mais intensas, levantando questionamentos sobre o equilíbrio entre integração de ativos, inovação de produto e execução operacional.
Aquisições complemetares
A empresa, por sua vez, tem reforçado que sua posição estratégica difere daquela vivida por grandes fornecedores de software na década de 2010. Em comunicados ao mercado, a ServiceNow argumenta que as aquisições recentes têm caráter complementar e não representam uma mudança estrutural de estratégia, destacando que a base de clientes, a recorrência de receitas e o posicionamento em fluxos críticos de TI sustentam sua trajetória de crescimento.
Segundo projeções de mercado, a ServiceNow deve encerrar 2025 com receita superior a US$ 13 bilhões, crescimento próximo a 21% na comparação anual. Para 2026, analistas esperam uma expansão mais moderada, especialmente se desconsiderados os impactos diretos das aquisições anunciadas neste ano.
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