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Shiva
Lucas Marques, fundador da Shiva e ex-COO da Méliuz | Crédito: Divulgação

A Shiva, comunidade criada para apoiar empreendedores de tecnologia na construção de produtos globais com inteligência artificial, acaba de levantar US$ 10 milhões em uma rodada pré-seed liderada pela Monashees, com participação da Endeavor Catalyst. O aporte marca o lançamento oficial da operação e, segundo a empresa, representa o maior investimento já reportado nesse estágio na América Latina.

Os recursos serão usados para financiar empreendedores brasileiros por meio de bolsas mensais, apoiar o uso intensivo de ferramentas de IA e infraestrutura de nuvem e oferecer mentorias nas áreas de produto, desenvolvimento e negócios.

A iniciativa foi fundada por Lucas Marques, sócio e ex-COO da Méliuz e também fundador da ONG Programadores do Amanhã, voltada à formação de jovens de baixa renda em tecnologia. Segundo ele, a Shiva nasce a partir da tese de que a inteligência artificial está mudando profundamente a forma como startups são criadas e, com isso, também desafia modelos tradicionais de investimento.

“A inteligência artificial mudou radicalmente a equação de custo, tempo e complexidade para construir software. O modelo tradicional de venture capital, focado em poucos unicórnios altamente capitalizados, não captura bem essa nova geração de negócios já concebidos para operar em múltiplas línguas e moedas, com estruturas enxutas, alta eficiência operacional e potencial de rentabilidade frequentemente fora do radar do modelo convencional de VC”, afirma Lucas.

A tese das “stars”

A proposta da Shiva parte da ideia de que a redução no custo e no tempo de desenvolvimento de software, impulsionada pela IA, está dando origem a um novo tipo de empresa de tecnologia. Chamadas de “Stars”, essas startups seriam formadas por times mínimos – geralmente com até três pessoas – focados em construir produtos globais altamente especializados, com inteligência artificial no centro do modelo operacional.

A própria estrutura da companhia reflete essa lógica enxuta. Hoje, a operação fixa da Shiva conta apenas com o próprio fundador como membro permanente.

Nesse cenário, a startup busca atuar em uma camada anterior ao venture capital tradicional. Em vez de investir com cheques iniciais em startups já estruturadas, o foco está em apoiar empreendedores ainda na fase de criação dos produtos.

O modelo combina investimento financeiro, mentoria e construção de comunidade. Os empreendedores selecionados recebem bolsas mensais por até 12 meses em troca de participação acionária, com diluição ajustada ao perfil dessas empresas mais enxutas.

Além do apoio financeiro, os participantes têm acesso a mentorias e a uma comunidade de fundadores focada na troca prática sobre uso de IA, automações, workflows e ganhos de produtividade. A iniciativa visa ajudar os empreendedores em decisões que muitas vezes ficam fora do debate público no ecossistema de startups, como estrutura societária, cap table, instrumentos financeiros e escolhas operacionais críticas.

Segundo o fundador, o programa foi desenhado para atender perfis variados de empreendedores, desde desenvolvedores que começaram a empreender em contextos adversos, com pouco acesso a capital, até profissionais experientes que estão criando seus primeiros projetos autorais.

“A redução do custo de construir software abre uma janela inédita de democratização do empreendedorismo. Nosso papel é organizar esse movimento, dar suporte financeiro e intelectual e criar um ambiente onde esses fundadores consigam transformar produtos nichados em negócios globais sustentáveis antes mesmo de alcançarem o seed”, diz Lucas.

Antes do venture capital

Apesar de propor um modelo diferente de apoio a startups, a Shiva não se coloca como alternativa ao venture capital tradicional, mas como uma camada complementar.

A ideia é atuar antes das rodadas seed, ajudando a formar uma nova geração de fundadores. Parte dessas empresas pode seguir posteriormente para rodadas maiores com fundos institucionais. Outra parte, no entanto, pode optar por permanecer independente, construindo negócios lucrativos sem necessidade de levantar novas rodadas.

“Com IA, a lógica de risco e retorno mudou completamente. Um negócio enxuto, vendido por US$ 20 ou 30 milhões, ou que gere caixa de forma recorrente, pode ser um ativo extremamente atrativo. Aquele velho conceito de que as empresas ‘ou dão muito certo ou morrem’ deixa de ser a única opção”, observa o empreendedor.

A expectativa da Shiva é financiar cerca de 100 empresas, mirando um retorno médio de 10 vezes o capital investido em cada uma dessas startups. “Unicórnios continuarão existindo, mas eles não serão o único símbolo de sucesso. A próxima onda de criação de riqueza em tecnologia pode vir de centenas de empresas enxutas, eficientes e profundamente conectadas aos seus usuários”, conclui Lucas.

O post Shiva levanta US$ 10M para apoiar startups criadas com IA apareceu primeiro em Startups.