
A Paramount Skydance concluiu a aquisição da Warner Bros Discovery em uma fusão avaliada em US$ 110 bilhões, criando um dos maiores conglomerados de entretenimento da história de Hollywood. A operação foi confirmada nesta quarta-feira (7) e une dois dos maiores estúdios de Los Angeles em uma única empresa, que passará a se chamar Skydance Corporation.
A negociação foi marcada por meses de disputas judiciais e críticas generalizadas sobre os riscos de concentração de mercado, possíveis cortes e impactos para consumidores e concorrentes.
A fusão reúne sob um mesmo guarda-chuva marcas como HBO, CBS, Nickelodeon, Showtime, Comedy Central, DC Studios e Food Network. A Paramount também passa a deter franquias icônicas como Harry Potter, Game of Thrones e O Senhor dos Anéis, que se somam ao catálogo já existente de Indiana Jones, Missão: Impossível e Shrek.
Estrutura da nova empresa
O comando executivo da Skydance Corporation ficará dividido entre David Ellison, fundador original da Skydance e agora presidente e diretor-executivo, e Ynon Kreiz, ex-diretor-executivo da Mattel, que foi nomeado como co-diretor-executivo na semana passada. Kreiz vai cuidar das operações do dia a dia e da integração dos negócios; Ellison se concentrará em estratégia e tecnologia.
Casey Bloys, que liderou o conteúdo da HBO e do serviço de streaming Max, será o co-presidente e diretor de conteúdo para o segmento direto ao consumidor. Mike Proulx, diretor de pesquisa da Forrester Research, afirma que a mudança “essencialmente significa que a equipe de liderança da HBO agora está no comando da operação de streaming combinada da Skydance”.
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“Embora isso seja positivo para a marca HBO, não haja engano; Bloys sofrerá pressão para encontrar e entregar eficiências de custo que podem afetar a qualidade do conteúdo”, observa Proulx.
Mark Thompson, ex-diretor-geral da British Broadcasting Corporation (BBC), permanece como presidente e editor-chefe da CNN Worldwide. Bari Weiss segue como editora-chefe da CBS News.
Dívidas e desafios financeiros
A nova empresa herda um passivo elevado em um momento de juros altos. Dan Coatsworth, chefe de mercados da AJ Bell, afirma que “a entidade combinada, agora chamada Skydance, precisa cortar custos e aumentar os lucros para conseguir reduzir a dívida a níveis mais administráveis”.
Coatsworth ainda observa que o fracasso de Digger, filme de Tom Cruise e último lançamento da Warner Bros antes da fusão, “é um lembrete de que a indústria cinematográfica não é um bilhete garantido para a riqueza”.
Ellison definiu a conclusão do acordo como “histórica” para a indústria do cinema. “Desde o início, nossa ambição foi reunir esses dois estúdios lendários e criar um concorrente mais forte, com talento, recursos e alcance para contar grandes histórias em todos os gêneros, em todas as plataformas, para o público em todo lugar. Agora essa ambição é uma realidade”, diz.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também se manifestou após a conclusão do acordo. “São pessoas excelentes e vai ser uma grande empresa”, afirma.
Caminho até a fusão
Embora a empresa afirme ter obtido aprovação unânime das autoridades de concorrência ao redor do mundo, o processo foi disputado desde o início. A Netflix chegou a negociar a compra de parte da Warner Bros Discovery, mas a Paramount Skydance iniciou uma guerra de lances que fez a gigante do streaming recuar.
Advogados de cerca de uma dúzia de estados norte-americanos entraram com ações judiciais para bloquear o acordo, liderados pela Califórnia. Os processos argumentavam que a fusão sufocaria a concorrência, elevaria os preços para consumidores e causaria danos “substanciais” a cinemas, distribuidoras de TV a cabo e, em última análise, ao público em todo o país.
Um acordo com os estados foi firmado no mês passado, abrindo caminho para a conclusão da fusão. Rob Bonta, procurador-geral da Califórnia que liderou tanto o processo judicial quanto a negociação do acordo, afirma que o objetivo é garantir que os estúdios produzam “filmes reais e robustos” que gerem atividade econômica e empregos.
Independência editorial e cotas de produção
A questão da independência editorial ganhou destaque nas negociações, sobretudo em relação à CNN e à CBS News. Como parte do acordo, a Paramount se comprometeu a criar um “conselho de independência editorial jornalística” para “garantir uma cobertura independente, objetiva e baseada em fatos”. A preocupação se intensificou desde que a CBS foi incorporada à Skydance Media em 2025, em uma fusão anterior. Ellison, que recebeu Trump em um jantar neste ano, tem buscado tranquilizar o mercado quanto à manutenção da independência editorial.
O acordo com os estados também impõe obrigações de produção à nova empresa. A Paramount deve lançar pelo menos 30 filmes por ano e garantir que 20% das produções sejam realizadas nos Estados Unidos nos dois primeiros anos, percentual que sobe para mais de 30% nos três anos seguintes. Caso não cumpra a cota anual, será obrigada a vender sua participação de 49% na Miramax. O acordo ainda inclui restrições explícitas contra filmes gerados por inteligência artificial, para impedir que a cota seja cumprida com conteúdo automatizado de baixo orçamento.
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