
O SoftBank Group anunciou a aquisição da DigitalBridge Group em uma operação avaliada em US$ 4 bilhões. O negócio, confirmado pelas empresas nesta segunda-feira (29), reforça a estratégia do conglomerado japonês de ampliar sua exposição a ativos ligados à infraestrutura que sustenta aplicações de inteligência artificial.
A transação ocorre em um momento de forte aquecimento da demanda por capacidade computacional, impulsionada pelo avanço de modelos de IA cada vez mais intensivos em processamento e consumo energético. Com a compra, o SoftBank passa a ter acesso direto a um portfólio diversificado de ativos físicos essenciais para o funcionamento da economia digital.
As ações da DigitalBridge reagiram positivamente ao anúncio. Os papéis subiram cerca de 10% no pregão do dia, acumulando uma valorização ainda mais expressiva ao longo do mês, após rumores iniciais sobre as negociações terem vindo a público. O preço ofertado foi de US$ 16 por ação, representando um prêmio aproximado de 15% em relação ao fechamento da última sexta-feira.
Segundo os termos divulgados, o acordo avalia a DigitalBridge em cerca de US$ 2,92 bilhões e a expectativa é que a operação seja concluída no segundo semestre de 2026, sujeita às aprovações regulatórias usuais. O CEO da DigitalBridge, Marc Ganzi, permanecerá à frente da companhia, que continuará operando como uma plataforma independente sob a nova estrutura societária.
A DigitalBridge é especializada em investimentos em infraestrutura digital, com foco em ativos como data centers, torres de telecomunicações, redes de fibra óptica, small cells e infraestrutura de edge computing. Seu portfólio inclui participações em empresas relevantes do setor, como Vantage Data Centers, Zayo, Switch e AtlasEdge.
Fundada em 1991 sob o nome Colony Capital, a empresa tinha originalmente um perfil voltado ao mercado imobiliário tradicional. A mudança de rumo começou nos anos seguintes, quando a gestão decidiu se desfazer de grande parte dos ativos imobiliários e concentrar esforços em infraestrutura digital. O reposicionamento culminou na mudança de marca para DigitalBridge, em 2021.
De acordo com dados divulgados pela companhia, a DigitalBridge administrava cerca de US$ 108 bilhões em ativos até o final de setembro, o que a coloca entre os maiores investidores globais dedicados exclusivamente ao ecossistema de infraestrutura digital. Esse volume inclui recursos próprios e de terceiros alocados em projetos de longo prazo, com foco em conectividade e processamento.
Mudanças para o SoftBank
Para o SoftBank, o movimento está alinhado à visão estratégica de seu fundador, Masayoshi Son, de posicionar o grupo como um dos principais financiadores da próxima onda tecnológica baseada em inteligência artificial. O conglomerado japonês vem reorganizando seu portfólio para priorizar ativos considerados estruturantes para o avanço da IA, indo além de investimentos diretos em startups de software.
A DigitalBridge também participa de iniciativas de grande escala voltadas à expansão da capacidade computacional global. A empresa integra, ao lado de OpenAI, Oracle e do investidor tecnológico MGX, o projeto Stargate, que prevê investimentos bilionários em infraestrutura de computação avançada para suportar o desenvolvimento de sistemas de IA de última geração.
Em setembro, OpenAI, Oracle e o próprio SoftBank anunciaram planos para construir cinco novos centros de computação nos estados norte-americanos do Texas, Novo México e Ohio. Juntas, essas instalações devem alcançar uma capacidade energética combinada de aproximadamente sete gigawatts quando estiverem em operação, refletindo a escala dos investimentos necessários para sustentar a próxima fase da inteligência artificial.
O negócio com a DigitalBridge amplia, portanto, o alcance do SoftBank em um segmento considerado crítico para o futuro da tecnologia, ao mesmo tempo em que reforça a consolidação do mercado de infraestrutura digital em escala global.
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