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CEO da SoftBank, Masayoshi Son

A SoftBank anunciou a compra da divisão de robótica do grupo suíço ABB por US$ 5,4 bilhões, em um movimento que consolida a ambição de seu fundador e CEO, Masayoshi Son, de unir inteligência artificial (IA) e robótica em uma nova fase batizada de “IA física”.

O acordo, divulgado nesta quarta-feira (8) pela Reuters, marca uma das maiores aquisições recentes no setor e reforça o posicionamento do conglomerado japonês como protagonista na corrida global pela próxima geração de tecnologias inteligentes.

A operação deve ser concluída entre meados e o fim de 2026 e representa uma virada na estratégia da ABB, que havia planejado listar sua divisão de robótica separadamente, mas optou pela venda diante da proposta da SoftBank.

De acordo com o CEO da ABB, Morten Wierod, a decisão foi impulsionada pela liquidez imediata oferecida pelo grupo japonês. “A robótica sempre foi um mercado mais volátil, com altos e baixos em crescimento e margens. Optamos por concentrar nossos investimentos em eletrificação e automação, onde temos mais sinergia e estabilidade”, explicou em entrevista à Reuters.

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Divisão de robótica da ABB

A divisão de robótica da ABB emprega cerca de 7 mil pessoas e registrou vendas de US$ 2,3 bilhões em 2024, o equivalente a 7% da receita total da companhia. Apesar disso, a área vinha apresentando desempenho abaixo das expectativas e menor integração com as demais unidades do grupo, voltadas à automação industrial e à eletrificação.

Para a SoftBank, a aquisição se encaixa em uma estratégia de longo prazo que vem sendo construída há mais de uma década. A empresa já havia investido em startups de automação e robótica, como Berkshire Grey e AutoStore, e recentemente liderou um aporte de US$ 40 bilhões na OpenAI, criadora do ChatGPT. Em março deste ano, também adquiriu a empresa de design de chips Ampere por US$ 6,5 bilhões, reforçando sua aposta em infraestrutura computacional para IA.

Ao anunciar a nova compra, Masayoshi Son destacou que “a próxima fronteira da SoftBank é a IA física”, conceito que combina o poder cognitivo das inteligências artificiais com a capacidade de ação dos robôs no mundo real. A iniciativa remete à primeira incursão da companhia no setor, com o robô humanoide Pepper, lançado há dez anos, mas cujo projeto foi posteriormente descontinuado. Agora, com tecnologias mais avançadas de aprendizado de máquina e hardware especializado, Son pretende retomar o protagonismo da empresa nesse campo.

Do lado suíço, o negócio representa uma reorientação estratégica da ABB. Os recursos obtidos, cerca de US$ 5,3 bilhões líquidos, serão direcionados à expansão de suas áreas principais, especialmente automação e eletrificação, e poderão financiar novas aquisições de grande porte, segundo Wierod. “Temos poder de fogo para buscar negócios maiores”, disse o executivo.

O mercado reagiu positivamente à transação: as ações da ABB abriram em alta de 2% na bolsa de Zurique após o anúncio, enquanto os papéis da SoftBank permaneceram estáveis. Analistas do banco Zuercher Kantonalbank afirmaram que esperavam uma avaliação inferior a US$ 4 bilhões caso a divisão fosse apenas desmembrada, e consideraram o valor pago pela SoftBank um indicativo da aposta japonesa na convergência entre IA e robótica industrial.

A ABB, que compete com empresas como Fanuc, Yaskawa e Kuka, vinha enfrentando dificuldades para manter rentabilidade em um mercado altamente cíclico e pressionado pela desaceleração da manufatura global. Já a SoftBank aposta que, ao integrar as tecnologias da ABB com sua crescente base em IA e semicondutores, poderá acelerar o desenvolvimento de robôs autônomos mais inteligentes, voltados tanto para fábricas quanto para aplicações comerciais e domésticas.

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