
O SoftBank é a corporação com o maior número de investimentos em unicórnios brasileiros. O grupo japonês participou de 15 rodadas em empresas como 99, Loggi, Creditas, Loft, MadeiraMadeira, Olist e QuintoAndar. Os dados são de um levantamento inédito da Sling Hub, plataforma de inteligência sobre o ecossistema de inovação, realizado em parceria com ABCVC e Torq, com dados acumulados até junho de 2026.
O ranking considera apenas rodadas equity e secundárias — ficam de fora operações de debt, FIDC e investimentos realizados após o IPO das companhias. Investimentos feitos por meio de CVC ou subsidiária são atribuídos à corporação-mãe: o SoftBank Latin America Fund, por exemplo, entra contabilizado sob o grupo japonês. O critério de inclusão são startups que, em algum momento, atingiram valuation acima de US$ 1 bilhão.

Capital estrangeiro domina, mas nomes nacionais ganham força
Distante em segundo lugar, a Naspers acumula seis deals — entre eles iFood, Nubank, Creditas e, como investimento mais recente do ranking, uma participação minoritária na Daki. Esse último aporte foi realizado pelo iFood, controlado pela Prosus, subsidiária internacional do grupo sul-africano, e entra no ranking justamente por esse critério: investimentos de subsidiárias são atribuídos à corporação-mãe.
A norte-americana Qualcomm aparece em terceiro, com cinco investimentos em empresas como 99 e QuintoAndar. Na sequência, Grupo Globo e Goldman Sachs empatam com três deals cada, seguidos por Tencent e BTG Pactual, com três e dois investimentos, respectivamente.
A presença de Grupo Globo e BTG Pactual no ranking é um dos destaques do levantamento. O Grupo Globo investiu em Hotmart, Olist e QuintoAndar; o BTG Pactual aparece com participações em Loggi e Loft. Até então dominado por investidores estrangeiros, o topo começa a incorporar capital brasileiro — movimento que, para a Sling Hub, reflete uma mudança estrutural no ecossistema.
“O topo do ranking ainda é ocupado majoritariamente por corporações estrangeiras, que concentram o maior número de investimentos até aqui. Por outro lado, chama atenção a entrada de nomes nacionais entre os principais investidores, como Grupo Globo e BTG Pactual”, afirma João Ventura, CEO da Sling Hub, ao Startups. “Esse é um movimento que aponta para um ecossistema mais maduro, capaz de financiar a própria inovação.”
O peso do capital corporativo
O levantamento evidencia como o capital corporativo foi determinante para a formação dos unicórnios brasileiros. O ranking contabiliza rodadas de pré-unicórnio, na própria virada de valuation e em estágios posteriores, o que permite identificar quais corporações apostaram mais cedo e com maior frequência nessas empresas.
O volume financeiro de cada deal não integra o levantamento. Segundo a Sling Hub, esse dado frequentemente não é divulgado pelas partes envolvidas. O ranking reflete, portanto, o número de rodadas em que cada corporação participou, não o capital total aportado.
“Esses dados mostram como o capital corporativo foi central na construção dos unicórnios brasileiros”, diz João Ventura. “Para nós, é mais um sinal de que o corporate venture vem se consolidando como peça estrutural do mercado brasileiro”, conclui.
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