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Kenichiro Hibi, presidente da Sony Latam, em evento da Sony Professional Solutions Brasil.

Em um encontro realizado nesta quinta-feira (26), a Sony Professional Solutions detalhou sua estratégia para 2026 e reafirmou o papel do Brasil como mercado central para a operação na América Latina.

Com a presença de Kenichiro Hibi, presidente da Sony Latam, a companhia afirmou que, embora o cenário fiscal brasileiro represente um desafio recorrente, o País segue como foco de investimentos em inovação e soluções audiovisuais. “O Brasil é um motor que impulsiona o negócio da Sony”, afirmou Hibi. Segundo o executivo, a operação brasileira vem sendo posicionada como o pilar mais estratégico da região.

Ele também reconheceu as dificuldades, mas demonstrou otimismo. “Sabemos que o Brasil não é fácil; as regras fiscais e a economia podem trazer complexidade, mas estamos prontos para investir. Nossa missão é preencher o mundo com emoção por meio da tecnologia, e o mercado brasileiro apresenta essa demanda”, complementou.

Estratégia de negócio e o fim das fronteiras entre consumidor e profissional

Uma das principais mudanças anunciadas é a unificação da visão de segmentos. A Sony, que no Brasil manteve sua operação focada no mercado profissional após o encerramento da fabricação nacional de televisores, passa agora a integrar linhas antes consideradas de consumo, como a linha de câmeras Alpha, ao portfólio de soluções para negócios.

Luis Fernando Fabichack, diretor-geral da Sony Pro Brasil, explica que essa transição responde ao comportamento do cliente. “Hoje não fazemos mais distinção entre produto de consumo e profissional; o cliente decide. Estamos unificando o portfólio para atender desde produtores de conteúdo independentes até grandes emissoras”, diz o executivo.

Questionado sobre o futuro das vendas, Fabichack afirmou que a Sony estuda a possibilidade de vendas diretas, como comércio eletrônico, mas de forma cautelosa. “Temos a intenção de realizar vendas diretas, mas precisamos de um modelo que não prejudique nossos parceiros e canais de distribuição, que são essenciais.”

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Superando o desafio fiscal com tecnologia

A questão tributária também foi abordada como parte da estratégia de mercado. Segundo a empresa, a engenharia da Sony tem buscado alternativas para garantir que a inovação chegue ao mercado local sem atrasos, especialmente em tecnologias de alta gama voltadas ao audiovisual.

Fabichack destacou o uso de regimes especiais para equipamentos sem produção nacional equivalente como alternativa para manter a competitividade. Ainda assim, o processo demanda tempo e adaptação. “Temos mudanças frequentes nas regras, principalmente tributárias. Trabalhamos para nos adaptar ou buscar alternativas por meio de instrumentos governamentais, como ex-tarifários para produtos sem produção nacional”, explicou.

Giancarlo Paul, engenheiro de serviços ao cliente, afirmou que a complexidade fiscal impacta o preço, mas não o acesso à tecnologia. “A parte fiscal é um desafio de precificação, mas, para uma empresa do porte da Sony, não impede a entrega de produtos ao mercado brasileiro. Hoje, no Brasil, focamos 100% no B2B, enquanto distribuidores levam os produtos ao consumidor final”, disse.

A companhia, que já interrompeu a produção de televisores no Brasil em função de exigências de nacionalização, afirma que segue cumprindo as regras locais e busca formas de expandir sua atuação diante do potencial de crescimento no País.

Verticais que impulsionam negócios

Durante a apresentação, os executivos destacaram setores que têm impulsionado as vendas no Brasil, como o segmento religioso. Hibi apontou o País como um mercado relevante para tecnologias de transmissão utilizadas em igrejas, que demandam alta qualidade de áudio e vídeo para transmissões e eventos.

Fabichack também apresentou o Crystal LED, módulos de painéis que permitem criar cenários de gravação imersivos. O sistema, integrado às câmeras de cinema da Sony, corrige automaticamente falhas de iluminação e perspectiva no fluxo de gravação.

O diretor citou ainda parcerias globais com impacto no Brasil, como o fornecimento de tecnologias de transmissão para a CBF e para a NFL, consolidando a presença da marca no segmento esportivo.

Investimento no projeto Kondo

Para além do hardware, a Sony pretende estreitar laços com a nova geração de criadores brasileiros. Ana Malerbi, gerente de Marketing, destacou a atuação da marca no desenvolvimento da mídia nacional por meio do projeto Kondo, iniciativa voltada à criação de conteúdo, parcerias com criadores e concursos culturais para incentivar o uso da tecnologia como ferramenta de expressão e inovação.

O recado final de Kenichiro Hibi foi de otimismo. “O campo B2B, especialmente câmeras e áudio, está crescendo, e estamos prontos para o Brasil”, afirmou.

Ao colocar o desenvolvimento de câmeras e soluções profissionais no centro da estratégia, a Sony sinaliza que pretende ampliar sua presença no mercado corporativo e consolidar o País como eixo-chave dentro da América Latina.

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