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André Figueiredo, CEO e founder da Draives | Foto: Divulgação
André Figueiredo, CEO e founder da Draives | Foto: Divulgação

A regulamentação da geração distribuída no Brasil abriu espaço para que praticamente qualquer pessoa pudesse construir pequenas usinas solares e vender a energia gerada, transformando ativos de energia em uma nova classe de investimento. Mas a corrida para aproveitar os incentivos também expôs lacunas de governança em um mercado que cresceu rapidamente, com ativos estruturados às pressas, documentação desorganizada e processos de compra e venda ainda conduzidos de forma artesanal.

É nesse cenário que a Draives quer se posicionar. A startup está desenvolvendo o que chama de “sistema operacional para M&As de energia” no Brasil: uma plataforma que organiza dados, estrutura data rooms, automatiza etapas de diligência e começa a incorporar dados operacionais e financeiros dos ativos para apoiar tanto a gestão quanto transações de compra e venda.

A demanda foi percebida pelo próprio fundador, André Figueiredo, quando atuava como head comercial na Élis Energia, investida do Patria Investimentos em Geração Distribuída pelo fundo 4 de Infraestrutura. Depois de participar da construção de 40 usinas solares e assumir a frente de aquisições desses ativos, ele passou a ver de perto um gargalo recorrente: vendedores chegavam com ativos pouco estruturados, sem governança documental e com passivos regulatórios, ambientais ou fundiários mal mapeados.

“Como comprador de ativos, eu lembro que, quando chegava um ativo desorganizado, muitas vezes eu nem olhava, porque sabia que ia dar muito trabalho. Até porque são ativos de pequeno porte que não valiam o custo de diligência e organização”, explica o fundador.

Base tecnológica

A origem do problema remonta à lei aprovada em 2022 que incentivou a construção de pequenas usinas de geração distribuída, com potência de até 5MW. Com uma janela regulatória favorável e subsídios, o segmento viveu uma espécie de “corrida do ouro”, atraindo grandes gestores como Pátria, Brookfield e até mesmo BlackRock, ao lado de investidores independentes, como médicos, fazendeiros, entre outros.

O resultado foi uma explosão na oferta de ativos, mas sem o mesmo nível de sofisticação visto em projetos de geração centralizada.

Foi nesse contexto que André identificou a oportunidade de construir uma camada tecnológica para organizar esse mercado. O insight ganhou força em 2023, quando ele começou a testar IA generativa para extrair informações de documentos durante diligências.

“Ali ficou claro que a inteligência artificial poderia reduzir drasticamente o custo e o tempo desse processo”, afirma.

Fundada em janeiro de 2025, a Draives foi a mercado oficialmente há cerca de um mês, com foco em aplicar software e IA ao fluxo completo de M&A no setor elétrico. Hoje, a startup opera com um time de sete pessoas, sendo seis dedicadas à tecnologia. A exceção é o fundador, que vem do mercado de energia.

Além de André Figueiredo, a Draives tem como sócios Ulysses Castro e Roberto Navarro, que atuam como investidores e conselheiros estratégicos do negócio. Embora não estejam na operação do dia a dia, os dois trazem experiência complementar ao negócio: o primeiro vem do mercado de M&A no setor elétrico, enquanto o segundo tem trajetória ligada à geração centralizada de energia. Segundo o fundador, a composição societária buscou combinar capital e conhecimento setorial para apoiar a construção da tese.

IA para organizar data rooms e mapear red flags

A plataforma usa inteligência artificial proprietária para organizar data rooms em até 10 minutos, identificando documentos, classificando arquivos e estruturando pastas em um padrão de mercado.

A partir disso, uma segunda camada de IA realiza uma pré-diligência documental e aponta potenciais red flags em minutos — sem substituir a análise humana, mas reduzindo o trabalho operacional inicial para investidores e compradores.

Segundo a startup, 144 ativos já estão cadastrados na plataforma, somando 425 megawatt-pico de potência e cerca de R$ 1,5 bilhão em valor de mercado dentro do ecossistema.

Mas a ambição vai além do data room. A empresa começou a conectar a plataforma à geração das usinas para trazer dados operacionais em tempo real e iniciou um piloto de Open Finance para integrar contas bancárias dos ativos e acompanhar movimentações financeiras.

A ideia é transformar a plataforma em uma espécie de “oráculo do ativo”, reunindo informações regulatórias, operacionais, financeiras e documentais em um único ambiente.

Isso também abre espaço para uso antes mesmo de uma transação. “Tem gerador usando a plataforma sem intenção imediata de vender. Só quer ter o ativo organizado e usar isso na gestão do dia a dia”, diz o fundador.

A startup está operando em bootstrap e, por enquanto, sem buscar rodada externa. Segundo o fundador, o plano é usar receitas próprias para escalar e deixar uma captação para um momento em que a companhia tenha mais tração — e valuation maior.

Para 2025, a Draives quer multiplicar o faturamento em 10 vezes.

Embora o mercado de novas usinas de geração distribuída de pequeno porte tenda a desacelerar com a redução dos incentivos regulatórios, André vê a consolidação dos ativos existentes como o próximo grande movimento, e aposta que isso cria demanda por infraestrutura digital.

“A gente entende que tem esses ativos menores para a gente consolidar e trabalhar a ferramenta e a tecnologia, mas a gente quer mirar os ativos de grande porte, porque entendemos que não existe hoje esse sistema operacional focado no M&A. Queremos ser o parceiro das boutiques e dos bancos”, aponta André.

O post Startup cria sistema operacional com IA para M&As de energia apareceu primeiro em Startups.