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Sócios da Desonera: Natasha Ribeiro, Eduardo Ribeiro e Gustavo Monteiro | Foto: Divulgação
Sócios da Desonera: Natasha Ribeiro, Eduardo Ribeiro e Gustavo Monteiro | Foto: Divulgação

A Desonera, startup especializada em revisão de IPTU, está ampliando seu mercado-alvo para acelerar o crescimento. Fundada em 2023 atendendo principalmente pessoas físicas, a empresa passa agora a mirar clientes institucionais, como fundos imobiliários e holdings patrimoniais. Outra frente de expansão da plataforma é regional, indo além do principal mercado, São Paulo, para operações mais estruturadas em outras cidades.

“Nossa meta é crescer, em seis meses, o equivalente ao que crescemos nos últimos três anos”, afirma Natasha Ribeiro, CEO e cofundadora da Desonera, em entrevista ao Startups.

A startup atua em três frentes: revisão de IPTU, renegociação e redução de dívidas relacionadas ao imposto e restituição de valores pagos indevidamente. Antes de contratar qualquer serviço, o cliente recebe gratuitamente um diagnóstico indicando se há potencial de economia.

Segundo Natasha, a análise dos casos mostra que cerca de um terço dos imóveis avaliados paga IPTU acima do devido e possui direito a restituição. No caso das dívidas, ela afirma que a redução média identificada na plataforma é de cerca de 30%, embora haja casos em que tenha sido possível eliminar as dívidas por completo.

Os erros normalmente estão nas informações cadastradas sobre o imóvel, como área construída, fração ideal ou classificação de uso. Quando esses dados estão incorretos, toda a cobrança acaba sendo impactada.

Plataforma tecnológica

A Desonera nasceu da combinação das experiências de Natasha, que é engenheira civil, e do marido, Eduardo Ribeiro, advogado tributarista. Pouco depois, Gustavo Monteiro entrou como terceiro sócio para estruturar a área comercial.

Inicialmente, a operação era altamente manual, o que limitava o volume de clientes atendidos. Há cerca de cinco meses, porém, a empresa lançou sua plataforma própria, desenvolvida internamente com ferramentas de IA e no-code. Segundo Natasha, foram investidos aproximadamente R$ 80 mil no desenvolvimento da solução.

Além de automatizar processos, a plataforma reproduz o motor de cálculo utilizado pela Prefeitura de São Paulo, identificando divergências cadastrais e simulando o impacto financeiro de cobranças indevidas.

O movimento para o segmento institucional começou depois que um fundo imobiliário procurou a empresa após concluir um retrofit em um empreendimento. A CEO explica que havia dúvidas sobre como redistribuir o IPTU entre os condôminos. Após revisar os cálculos, a Desonera identificou uma cobrança excedente de aproximadamente R$ 260 mil. O valor foi restituído pela prefeitura cerca de 90 dias depois.

“O caso mostrou que nossa tecnologia poderia atender empreendimentos inteiros e não apenas imóveis individuais”, afirma.

Agora, a startup pretende atuar com empresas que possuem grandes patrimônios imobiliários espalhados pelo país, realizando auditorias completas das carteiras.

Expansão com capital próprio

A Desonera foi criada com capital próprio e permanece sem investidores externos. De acordo com Natasha, a empresa atingiu o breakeven em apenas oito meses de operação e desde então financia o próprio crescimento.

Hoje, a empresa conta com uma equipe de 20 pessoas, aproximadamente 1.800 clientes e afirma já ter gerado mais de R$ 100 milhões em economia efetivamente concretizada para os usuários. A companhia também estima ter analisado mais de R$ 1 bilhão em cobranças relacionadas ao IPTU.

O modelo de negócios combina assinatura com remuneração variável baseada no êxito das recuperações, que é hoje a principal fonte de receita.

Embora concentre sua tecnologia na cidade de São Paulo — escolhida por possuir uma das maiores arrecadações de IPTU do país e ampla disponibilidade de dados públicos —, a startup já atende clientes em mais de 100 municípios. O próximo passo é expandir a plataforma para outras cidades, como Rio de Janeiro.

Apesar da expansão nacional, Natasha acredita que o potencial de crescimento em São Paulo ainda está longe de ser explorado. “Só na capital paulista, ainda não alcançamos nem 1% do mercado potencial”, aponta.

O post Startup de revisão de IPTU mira clientes institucionais para escalar apareceu primeiro em Startups.