
O ecossistema de startups do Rio de Janeiro já fatura cerca de R$ 5,3 bilhões por ano, o equivalente ao montante movimentado durante o carnaval na cidade – que em 2026 gerou cerca de R$ 5,9 bilhões. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (12), no último dia do Web Summit Rio 2026, e fazem parte de um estudo realizado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE) e Riotur, em parceria com o Maravalley e com informações da plataforma Zoox Eye.
No evento, o Maravalley e a prefeitura apresentaram um mapa interativo do ecossistema de inovação carioca, que conta hoje com cerca de 600 startups em operação na cidade, empregando 14,4 mil trabalhadores. Juntas, essas empresas representam 1,3% do PIB carioca.
“Essa amostra ajuda a traçar um diagnóstico para olhar para frente. Isso vai ajudar tanto a desenvolver essas startups que existem, quanto identificar lacunas, e trabalhar em contato com o investidor, com o fomento, com a educação”, disse Daniel Barros, CEO do Maravalley, em entrevista ao Startups.
Centro lidera
O estudo, batizado de Panorama das Startups Cariocas, identificou que o Centro é o principal polo de concentração do ecossistema, com 127 empresas mapeadas. Na sequência aparecem Barra da Tijuca (74), Botafogo (68), Santo Cristo (44) e Ipanema (35). Mais de 66% das startups estão a menos de 10 quilômetros do Maravalley, e a distância média entre as empresas e o hub é de apenas 8,8 quilômetros.
Para Marcel Balassiano, Subsecretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, a proximidade não é coincidência. “O Maravalley talvez seja o maior símbolo desse ecossistema de Rio, capital da inovação”, aponta.
Outra explicação é o ISS Tech, lei municipal que reduziu a alíquota do imposto de 5% para 2% para empresas de tecnologia e inovação que se estabelecem na Zona Portuária do Rio.
Entre os setores mais representativos das startups identificadas no estudo, Tecnologia da Informação lidera o ranking com 93 startups mapeadas, seguida por Educação (49) e Saúde e Bem-Estar (48). Gestão e Consultoria (32) e Impacto Socioambiental (31) aparecem em seguida.
O estudo ainda identificou startups atuando em áreas como comunicação, finanças, varejo, energia, agronegócio, turismo, mobilidade, logística, indústria e inteligência artificial.
Políticas públicas para inovação
O levantamento utiliza dados da plataforma Zoox Eye, cruzados com múltiplas bases sobre o ecossistema local, incluindo o próprio Maravalley. As startups analisadas têm, em média, 7,1 anos de atividade, capital social médio de R$ 85,5 mil e 23,7 funcionários por empresa.
Para Daniel, o marco de 600 empresas é um ponto de partida. “É um número legal, mas é muito aquém do que o Rio pode alcançar. A gente tem uma meta e uma missão de criar as próximas mil startups cariocas”, diz. A comparação que orienta a ambição é Florianópolis, onde o setor de tecnologia responde por cerca de 30% do PIB local.
A expectativa da prefeitura, segundo Marcel, é que o Panorama sirva de base para novas políticas públicas, programas de incentivo e atração de investimentos. No horizonte, está o posicionamento do Rio como polo nacional de inteligência artificial, ancorado na iniciativa Rio AI City.
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