
Um movimento crescente no Vale do Silício, nos Estados Unidos, está mudando o cenário da indústria de defesa dos Estados Unidos. Startups de tecnologia voltadas à segurança nacional têm atraído bilhões de dólares e se consolidado como protagonistas de uma nova era, desafiando a supremacia de gigantes como Lockheed Martin, Boeing, Northrop Grumman, General Dynamics e RTX (antiga Raytheon).
De acordo com informações da CNBC, entre essas novas potências está a Anduril Industries, avaliada em US$ 30,5 bilhões após sua mais recente rodada de investimentos. A empresa é um dos símbolos do grupo batizado de “neoprimes”, companhias de defesa que combinam o dinamismo e a mentalidade “software-first” do Vale do Silício com as exigências complexas do setor militar.
Segundo Jameson Darby, cofundador e diretor de autonomia da MilVet Angels (MVA), há mais dinheiro do que nunca fluindo para esse ecossistema. Embora ainda representem uma fração do orçamento total do Departamento de Defesa dos EUA, o crescimento é expressivo. Startups como Palantir Technologies e SpaceX também fazem parte dessa nova geração que aposta em soluções digitais, automação e inteligência artificial para fechar lacunas críticas de tecnologia nacional.
De acordo com dados do JPMorgan, o investimento de capital de risco em startups de defesa nos EUA somou cerca de US$ 38 bilhões apenas na primeira metade de 2025, podendo ultrapassar o recorde de 2021 se o ritmo for mantido.
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Transformação do campo de batalha
As novas empresas emergem em um contexto de mudança no conceito de guerra. “Em um mundo pós-11 de Setembro, o foco era o combate ao terrorismo. Agora, o desafio é competir com potências tecnológicas em conflitos multidomínio”, explicou Ernestine Fu Mak, cofundadora da MVA e fundadora da Brave Capital, em entrevista à CNBC.
Ela observa que a guerra moderna não se limita mais a terra, mar e ar: “Hoje, o ciberespaço e o domínio espacial também são campos de disputa”. Essa expansão obriga as forças armadas a buscarem inovação em áreas como hipersônicos, resiliência energética, sensores integrados e cibersegurança.
Muitas dessas startups, além de desenvolverem tecnologias militares, apostam em soluções de uso dual, aplicações tanto comerciais quanto militares. A inteligência artificial e a autonomia, por exemplo, têm valor tanto para empresas civis quanto para as forças de defesa, acelerando a adoção por parte do governo.
Investidores de missão
O próprio governo norte-americano tem enviado sinais ao mercado sobre suas prioridades tecnológicas, criando um roteiro estratégico para empreendedores e investidores. A MVA, que saiu do modo discreto em setembro após apoiar startups desde 2021, reúne cerca de 250 membros, entre fundadores de tecnologia, executivos de Wall Street, ex-líderes militares, agentes de inteligência e Navy SEALs.
Esses investidores têm aportado recursos em empresas como Shield AI, Hermeus, Ursa Major e Aetherflux. Para Mak, a força dos “neoprimes” está na combinação entre conhecimento técnico e senso de missão. “Formamos o que chamamos de new guard, uma nova guarda composta por pessoas que unem a visão do guerreiro no campo de batalha à determinação do construtor de inovação”, afirmou.
Deterrência tecnológica
Os líderes dessa nova geração de defesa enfatizam que o propósito não é fomentar guerras, mas impedir conflitos. “Quem desenvolve tecnologia de defesa não busca iniciar confrontos, mas criar uma dissuasão crível que desestimule a agressão”, disse Mak.
A ascensão dos “neoprimes” mostra que, enquanto os tradicionais contratos bilionários das grandes corporações seguem relevantes, o futuro da segurança nacional dos EUA pode estar ser guiado por startups mais ágeis e orientadas por software, que enxergam a inovação como a nova arma estratégica do século XXI.
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