
*Por Danilo Nunes, fundador e CEO da Nudgy
A creator economy já perdeu o título de tendência emergente. Hoje, ela se consolidou como uma infraestrutura cultural e econômica. Entre novos modelos de negócio de criadores que se transformam em empresários, adoção em massa de IA nas plataformas de mídia e uma reorganização da economia por conta das novas tecnologias, trago três movimentos analisados diretamente do SXSW 2026 que ajudam a entender para onde esse ecossistema está evoluindo.
1. A fadiga dos templates criativos
Eu fico irritado quando gurus da internet vendem “formatos validados para qualquer segmento”, porque quem trabalha na intersecção entre criação e performance sabe que isso é uma grande falácia que não considera: produto, segmento, ecossistema de canais e relevância do interlocutor. As máquinas e algoritmos ficam matematicamente treinados em copiar trends, gerar roteiros, e produzir em volume, mas nem tudo funciona sem “o molho”.
Nos palcos, a saturação de modelos previsíveis é abordada como uma consequência do aumento da produção de conteúdo. As pessoas têm a sensação de que já viram aquilo antes, logo, criadores (e marcas) não conseguem construir disponibilidade mental. Em resposta, cresce a valorização (em termos de audiência, alcance e performance) de criadores que conseguem desenvolver linguagens próprias e narrativas originais, pensando formatos mais como um ecossistema: alguns são bons para alcance e gerar curiosidade; outros conversam com a comunidade e outros convertem; mas sempre com elementos que constroem marca e lembrança – algo parecido com o que fazemos na Nudgy (a primeira consultoria brasileira de creative strategy).
2. Concorrência infinita vs confiança escassa na era da IA
Equipes agênticas orquestradas por humanos e agentes de IA já são capazes de produzir conteúdo em grande escala, postar em centenas de contas e plataformas simultaneamente, ainda com versões digitalizadas de pessoas e roteiros gerados por prompts a partir de um áudio no WhatsApp. E isso é irreversível. O CEO da Buzzfeed levanta o alerta de concorrência infinita para criadores de conteúdo que ainda possuem um processo de criação “artesanal”.
Em contrapartida – nos painéis apresentados pela Head de Creators da Teachable (plataforma de gestão de ensino para criadores) – temos dados que apontam a falta de confiança na criação de conteúdo, assemelhando-se à história da criação de comunidades online no início da Web 2.0. A partir do momento que todos começam a produzir e interagir com conteúdo, nos deparamos com uma sobrecarga de informações, que leva à necessidade de pessoas que realizem curadoria e filtragem, nascendo comunidades em torno de interesses em comum, com criadores como guias. Os criadores assumem esse papel de curadores culturais e mediadores de confiança em níveis que marcas tradicionais dificilmente alcançam, tornando autenticidade, narrativa pessoal e ponto de vista ativos ainda mais estratégicos.
3. Creators como stakeholders das marcas
Já sabemos que marcas estão tratando o relacionamento com criadores como uma vertical estratégica de negócio, não apenas como mídia ou ativações pontuais: de afiliados a CGC (creator generated content), UGC (user generated content) influenciadores e celebridades. Mas agora nos palcos da trilha Brand e Marketing, as marcas falam sobre a evolução do relacionamento para modelos fixos de parcerias, licenciamento de IP, creative strategy, serviços de curadoria cultural e até co-criação de produtos – aproximando criadores do universo B2B.
Enquanto nos painéis de Creator Economy, vemos plataformas potencializando criadores de conteúdo para criar, cada vez mais, soluções e formatos para que eles funcionem como uma nova categoria de anunciantes dentro da plataforma, com destaque para os modelos de media company (que oferecem espaços profissionalmente midiatizados), e infoprodutores, que criam produtos educacionais digitais customizados para habilidades, problemas e conhecimentos específicos.
E em um painel que trouxe a intersecção de gigantes do mundo do entretenimento, vimos a aproximação de criadores com Hollywood – citando o exemplo do tapete vermelho do Globo de Ouro, que abriu a possibilidade de marcas substituírem o patrocínio em backdrops estáticos para criadores convidados com formatos de entrevista, perguntas que engajam e reforçam atributos da marca e até mesmo microfones personalizados. O resultado? Um aumento de 50% no engajamento do conteúdo contratado.
Algumas coisas ainda não saíram do lugar
Apesar de termos novos modelos de negócio se formando e uma escala de resultados, ainda não existe um denominador comum sobre precificação, e por isso, um dos painéis aponta que a creator economy precisa de novos KPIs de sucesso. Não tem como esperar resultados de performance ou mídia de criadores que operam como educadores que detêm , além de seguidores, comunidades e confiança. Por isso, o papel de desenhar novos cases de sucesso nesse mercado fica na mão de profissionais e consultores que entendem essa movimentação e traduzem para o seu cenário: de marca, negócio ou país.
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