
O palco Global Vision recebeu nesta sexta-feira (17), no segundo dia de VTEX Day 2026, um debate estratégico sobre as tendências que o Vale do Silício já domina e que prometem redefinir o mercado brasileiro.
Com a participação de lideranças da Qualcomm, ElevenLabs e Genesys, o painel explorou como a inteligência artificial está migrando de uma ferramenta de simples automação para um pilar de personalização e identidade de marca.
Para Amanda Andreone, vice-presidente e líder regional de vendas da América Latina da Genesys, a vantagem competitiva pertence às empresas que aplicam IA com intencionalidade estratégica.
Segundo a executiva, o foco deve ser a “IA conjugada com o humano”, defendendo que o modelo híbrido é o vencedor para gerar experiências de valor. “A sensação de que uma marca não nos conhece é uma das piores sensações de serviço. Hoje, 34% dos clientes abandonam suas marcas de escolha devido a jornadas ruins”, alertou Amanda, destacando que os copilotos de IA são fundamentais para apoiar o atendimento humano em interações mais sensíveis e empáticas.
O que é “Sonic Branding”?
Um ponto levantado no debate foi o estilo de consumo de IA do Brasil, que, segundo Brunno Santos, gerente-geral da ElevenLabs no Brasil, consome quatro vezes mais áudios no WhatsApp do que qualquer outro país, possuindo uma conexão cultural única com a voz.
Santos acredita que a próxima grande fronteira é o sonic branding, que é a personalização da voz da IA, tecnologia já explorada no Vale do Silício, que pode combina com o contexto brasileiro. “Se a sua máquina tivesse uma voz, como ela soaria?”, questionou.
Para o executivo, cada empresa deve desenvolver sua própria identidade vocal de IA transformando o atendimento operacional, que hoje representa pelo menos 70% das demandas, em um processo ágil e com personalidade própria.
A era dos agentes autônomos
O investimento massivo em infraestrutura também foi pauta. Luiz Tonisi, presidente da América Latina da Qualcomm, pontuou que os bilhões de dólares investidos em data centers estão treinando máquinas para funções cada vez mais complexas.
Ele antecipou que a próxima tendência econômica de trilhões de dólares será a dos humanoides, que dependerão de uma latência mínima para ações imediatas. “No futuro, eu vou ter meu próprio agente e ele vai me atender independentemente da plataforma”, afirmou Tonisi.
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No entanto, o executivo ponderou que a tecnologia não substitui o desejo humano em nichos específicos de luxo ou exclusividade. “O que o cliente quer é o que vale. Se alguém vai comprar um Rolex, ele quer um humano, independentemente da experiência. Tudo depende do quanto estamos dispostos a terceirizar”, explicou.
O painel concluiu que, embora o Vale do Silício aponte para uma IA cada vez mais autônoma, o sucesso no mercado nacional depende da capacidade das marcas em entender o contexto de cada cliente, garantindo que a tecnologia seja usada para antecipar necessidades de forma preventiva, sem perder a conexão com o cliente.
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