
A Palo Alto Networks está investindo pesado em sua operação brasileira, com planos de expansão “bastante agressiva” da equipe local e foco em estreitar relacionamentos diretos com grandes clientes corporativos. A estratégia faz parte de uma transformação maior da empresa, que deixa de ser fornecedora de produtos pontuais para se posicionar como parceira de longo prazo oferecendo plataformas integradas de segurança.
“A empresa entendeu que era importante dar a devida importância ao Brasil e à América Latina de uma maneira geral, para expandir a operação aqui com mais suporte e mais investimento”, afirma Marcos Pupo, presidente da Palo Alto Networks para a América Latina, em entrevista ao IT Forum. Ele assumiu o cargo há cinco meses, vindo da Oracle, onde acumulou experiência em transformações de modelo de negócio para nuvem.
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Consolidação em meio à fragmentação
O executivo identifica na fragmentação tecnológica das empresas brasileiras um dos principais desafios – e oportunidades – do setor. Segundo ele, não há cliente que visite que não tenha “dezenas, às vezes centenas de ferramentas” de segurança, resultado do desenvolvimento histórico da indústria de cibersegurança.
“Nossa indústria de cibersegurança é uma indústria que é relativamente jovem, então ainda não passou por um processo de consolidação”, explica Pupo. “Para cada disciplina, para cada demanda, existe um produto diferente, porque foi assim que essa indústria se desenvolveu ao longo da história.”
A resposta da Palo Alto é apostar na consolidação através de plataformas integradas. Nos últimos sete anos, a empresa realizou mais de 20 aquisições com o objetivo de oferecer uma única ferramenta que cubra todas as necessidades de segurança corporativa.
IA como catalisador de ameaças e soluções
A inteligência artificial emerge como elemento central tanto nas ameaças quanto nas defesas de cibersegurança. Pupo cita testes da Unit 42, braço de consultoria da empresa, que consegue criar campanhas de ataque efetivas em apenas 20 minutos usando IA – “coisas que talvez no passado seriam impensáveis”.
“Com a IA, você acaba potencializando os atacantes, porque eles conseguem ser muito mais precisos nas iniciativas de ataque, conseguem personalizar muito mais. A engenharia social passa a ser usada de uma maneira muito mais intensa”, alerta o executivo.
Por outro lado, a empresa aposta na automatização baseada em IA para simplificar as operações de segurança. “Acreditamos muito nesse modelo: temos que trazer o máximo de automatização para depender o mínimo de operador”, diz Pupo.
Portfólio ampliado com aquisições bilionárias
A estratégia de crescimento por aquisições culminou no anúncio de intenção de compra da CyberArk por aproximadamente US$ 25 bilhões, marcando a entrada formal da Palo Alto Networks no mercado de segurança de identidade.
“A questão de identidade para o futuro vai mudar muito, porque pensamos em identidade como indivíduo, mas com esse conceito de agentes de IA, cada agente vai ter que ter uma identidade”, justifica o presidente. “Quantos agentes você acha que uma empresa vai ter no futuro? Centenas de agentes fazendo coisas. Então, o conceito de identidade se multiplica.”
Entre os produtos que receberão destaque na região estão:
Prisma AIRS (Segurança de Tempo de Execução de IA): Plataforma para proteger empresas no desenvolvimento, proteção e teste de modelos de IA, incluindo controle da “IA sombra” – uso não autorizado de ferramentas de inteligência artificial pelos funcionários.
Prisma Access Browser: Navegador ultrasseguro com proteção contra vazamento de dados integrada, resultado de aquisição anterior da empresa Talon.
Cortex XSIAM: Plataforma para automatização de Centros de Operações de Segurança (SOCs) com aprendizado de máquina incorporado e roteiros baseados em experiências globais.
Mercado brasileiro em transformação
Pupo vê o Brasil como mercado estratégico em meio à crescente digitalização e trabalho remoto acelerado pela pandemia. “Essa transformação que vimos acontecer nos últimos anos ainda é pequena diante de todo o desenvolvimento que teremos para o futuro, quando colocamos a IA nessa equação”, projeta.
O executivo identifica na qualificação profissional um dos principais desafios do setor no país. “É uma indústria que depende muito de inovação e muito desenvolvimento. Então, essa questão dos profissionais qualificados é uma questão-chave.”
A Palo Alto Networks, que possui valor de mercado próximo a US$ 130 bilhões, pretende contribuir para a maturidade do mercado brasileiro através de programas específicos por indústria e investimento em capacitação de talentos locais.
“Sabemos muito bem da responsabilidade que temos para contribuir com esse ambiente, de elevar o País para um nível de maturidade de cibersegurança muito elevado”, conclui Pupo.
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