
A Neon fechou o primeiro semestre de 2026 no azul pela primeira vez em sua história. A fintech registrou lucro líquido de R$ 43,2 milhões, resultado que mostra uma mudança de trajetória depois de anos de forte expansão da operação e queima de caixa.
O resultado chega pouco mais de um ano depois de a Neon ampliar sua Série E, que totalizou R$ 720 milhões.
O lucro líquido representa uma melhora de quase R$ 80 milhões no resultado da empresa, em relação ao primeiro semestre de 2025, quando havia registrado prejuízo de R$ 35 milhões.
A virada não aconteceu de uma hora para outra. Em 2025, a empresa já havia reduzido o prejuízo em quase 90%, para R$ 43 milhões, e terminou o quarto trimestre no azul.
“A disciplina, eficiência e a excelência em servir os nossos mais de 27 milhões de clientes nos trouxeram a este primeiro lucro, um marco que uma empresa jovem como a Neon comemora com orgulho. Mas a entrada em um ciclo de rentabilidade é apenas o início de uma nova fase, para a qual temos um plano ambicioso. Seguiremos trabalhando com o mesmo rigor para entregar resultados ainda mais expressivos”, disse Fernando Miranda, CEO da Neon, por meio de nota.
Foco na rentabilidade
Segundo a empresa, a estratégia passou por três etapas. Entre 2016 e 2020, o foco esteve na construção da infraestrutura e na aquisição da base inicial de clientes. De 2020 a 2024, a companhia ampliou o portfólio e transformou o aplicativo em um ecossistema financeiro, período em que a receita por cliente cresceu mais de cinco vezes.
Desde 2025, a prioridade passou a ser a rentabilidade, com foco na resiliência da carteira de crédito, na experiência do cliente e na eficiência operacional. A Neon diz que continua contratando profissionais principalmente nas áreas de Crédito, Tecnologia, Dados e inteligência artificial.
A melhora no resultado do último semestre vem na esteira de uma redução consistente dos prejuízos. Em 2024, a Neon registrou perda de R$ 357 milhões. Em 2025, o prejuízo caiu quase 90%, para R$ 43 milhões, e a companhia terminou o quarto trimestre daquele ano no azul. Com o lucro do primeiro semestre, são três trimestres consecutivos de resultado positivo.
No primeiro semestre, as receitas de intermediação financeira somaram R$ 2,1 bilhões, alta de 23,9% em um ano. Já o resultado de intermediação financeira, depois das provisões, chegou a R$ 525,4 milhões, crescimento de 28,5% e o maior patamar semestral da companhia.
A expansão da receita veio acompanhada de maior controle dos gastos. As despesas com pessoal, administrativas e de prestação de serviços cresceram 2,1% no período. Com isso, o índice de eficiência, que mede a relação entre despesas e receitas, caiu de 36% no primeiro semestre de 2025 para 31% agora. Há dois anos, o indicador estava em 55%.
A Neon afirma que essa melhora ocorreu sem interromper os investimentos. Cerca de R$ 200 milhões foram destinados no semestre à aquisição de clientes, desenvolvimento de tecnologias próprias e uso de dados.
No crédito, a carteira bruta chegou a R$ 8,7 bilhões, crescimento de 10,6% desde dezembro e de 23,6% em 12 meses. A composição também mudou: o consignado privado avançou 18% no semestre, enquanto a carteira de cartão avançou 10%.
A mudança de mix é parte da estratégia da companhia para reduzir o risco da carteira. As receitas com operações de crédito somaram R$ 1,6 bilhão, alta de 26,7%. Já as despesas com provisões para perdas esperadas cresceram 12,6%, para R$ 808,8 milhões.
A Neon também diversificou suas fontes de financiamento. A base de CDBs permaneceu estável em R$ 6,5 bilhões, enquanto a companhia concluiu uma securitização de sua carteira de consignado privado por meio de debêntures, em uma operação de cerca de R$ 700 milhões anunciada em fevereiro.
Para Jamil Marques, CFO e COO da Neon, o lucro abre espaço para uma nova fase de expansão.
“Estamos crescendo de forma rentável e sustentável, fortalecendo a resiliência do negócio, independentemente do cenário macroeconômico”, afirmou. “Agora, com a lucratividade e uma base de capital sólida, temos ainda mais capacidade para fortalecer o negócio e evoluir nossa oferta aos clientes.”
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