
Pouco tempo após sair do stealth mode com uma pré-seed de R$ 15 milhões, a Zeom anunciou oficialmente o início de suas operações no Brasil nesta terça-feira (21). Sediada em Londres, ela chega ao mercado nacional com uma tese que ela mesma resume como “global banking”: uma plataforma que converte moedas em tempo real, com acesso a ativos internacionais e pagamentos com cartão, tudo rodando sobre uma camada de blockchain e IA nativa.
O Brasil é o primeiro país a receber oficialmente a solução da startup, e o motivo é simples: apesar de ter sido fundada fora do país, ela é criação de quatro brasileiros, três deles com passagem por outra fintech antes – a Rebel. Rafael Pereira e André Bastos foram fundadores da Rebel, mas saíram pouco tempo após a fusão da empresa com a Geru, que formou a OpenCo em 2021.
Ao lado do também ex-Rebel e o cofundador Bruno Maia, os executivos querem firmar a Zeom não apenas como uma concorrente de outros players de conta global como Wise e Nomad, mas atrair um público que já trata suas finanças de um “jeito globalizado”, entregando mais velocidade e transparência nas transações em dólar e outros ativos.
“A gente respeita muito o que essas empresas fizeram, mas elas nasceram numa era pré-IA e pré-blockchain. É como se fosse o Nubank contra os bancos digitais mais modernos da época. O Nubank pegou uma virada tecnológica que ninguém conseguiu acompanhar. Quando o pessoal conseguiu, ele já estava 10 anos na frente”, dispara Rafael, em conversa com o Startups.
Segundo o cofundador, a Zeom funciona como uma espécie de “Pix Global”, utilizando trilhos de blockchain e IA nativa para converter reais em dólar ou outros ativos de forma instantânea. “Você faz um Pix de R$ 20 e esses R$ 20 viram um ativo que transita globalmente. Não precisa reescrever o sistema legado de banco, que leva dois dias para mandar para outro banco, que leva mais dois dias para mandar para o terceiro”, explica.
O resultado prático, segundo Rafael, é uma operação disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, com custos operacionais baixos. “Isso se traduz em uma capacidade de atender nichos antes excluídos por barreiras de patrimônio mínimo”, argumenta, apontando que o aporte mínimo na fintech é de R$ 50.
Para explicar por que a infraestrutura blockchain é diferencial, e não só detalhe técnico, Bruno Maia propõe olhar por trás do sistema bancário tradicional. “A rede blockchain resolve um problema dificílimo de coordenação, que é transferir valores entre partes que não necessariamente se confiam, sem uma parte centralizadora controlando as transações. O sistema bancário foi construído em cima da mesma dor, só que com uma estrutura em camadas complicada, uma tecnologia defasada e difícil de atualizar”, detalha.
Público-alvo e o tamanho do mercado
Neste primeiro ciclo de crescimento, a Zeom está de olho em um perfil específico de cliente. Segundo Rafael, é o “cidadão globalizado”: pessoas da creators economy ou profissionais liberais que recebem em dólar, com renda a partir dos R$ 20 mil mensais e a intenção de investir em ativos além dos oferecidos no mercado brasileiro.
Com essa visão, o plano é bater a marca de 50 mil clientes no país até o fim de 2026. “É o marco temporal do primeiro ciclo”, pontuou Rafael, que estima um ticket médio na casa de “alguns milhares de dólares”, podendo chegar a cerca de US$ 50 milhões sob gestão.
E, conforme destacam os fundadores, o Brasil é apenas o primeiro passo. “Na sequência, a gente já vai lançar em outros países da América Latina. Depois expande para o Sudeste Asiático e África. Não tem nada que nos limite a trabalhar apenas com clientes brasileiros”, afirmou Rafael.
Bruno complementou explicando por que a tese, na leitura dos sócios, faz sentido para vários mercados simultaneamente: “A tese da Zeom tem uma aderência muito boa com mercados emergentes em geral. Esses mercados têm dores em comum: volatilidade política, volatilidade econômica, destruição de patrimônio ao longo do tempo por causa da inflação”.
Para dimensionar o mercado, André cita três números macro: cerca de 5 milhões de brasileiros investem via corretora, 25 milhões operam com cripto e 100 milhões têm algum tipo de reserva. O cálculo maior é global. “Quando fizemos o nosso plano global, o que a gente estava considerando eram US$ 340 bilhões só de mercados emergentes em wealth preservation. Se a gente pegar 3% desse mercado, já é um TAM de US$ 10 bilhões”, disse.
Dinheiro para bancar
Com metas ambiciosas de crescimento, a Zeom já saiu do stealth mode com grana no caixa. No mês passado, a fintech levantou um pré-seed de R$ 15 milhões com a britânica Fabric Ventures, gestora global especializada em Web3. O deal também teve participação da espanhola Tritemius, com aporte próximo ao do líder, e da aceleradora Plug and Play, do Vale do Silício.
Sobre o próximo cheque, Rafael não descartou nova rodada em cerca de um ano: “A gente tem capacidade financeira para andar bem esse ciclo, mas provavelmente vai voltar ao mercado no próximo ano. Se tudo correr bem, a gente vai antes”. André confirmou que já há interesse de outros fundos, principalmente estrangeiros.
O post Um mês após pré-seed de R$ 15M, Zeom estreia no Brasil apareceu primeiro em Startups.
