
No Grupo UNIP–Objetivo, a inteligência artificial (IA) generativa já se tornou uma ferramenta que transforma o modelo digital de ensino da organização e gera impacto direto no negócio.
A instituição, que atende entre 500 mil e 600 mil alunos em unidades próprias, sistemas de ensino e polos de educação a distância (EAD) espalhados pelo país, tem adotado a tecnologia para aprimorar o consumo de videoaulas, ampliando a acessibilidade e aumentando o engajamento estudantil.
O ponto de partida foi a migração de cerca de 70 mil horas de videoaulas para a nuvem da Amazon, realizada há dois anos. Em conversa com jornalistas durante o AWS Re:Invent, Marcello Vannini, CIO da organização, ressaltou que o movimento era estratégico e ocorreu porque o provedor anterior já não atendia a algumas necessidades. “Nosso primeiro objetivo era fazer a transição sem nenhum soluço, porque isso é o core business de muitas iniciativas da empresa”, afirmou.
A iniciativa foi desenvolvida em parceria com a consultoria ITCore e utiliza a infraestrutura e os modelos da AWS.
Com a operação estabilizada, o projeto evoluiu para aplicações de IA generativa. A primeira etapa consistiu em legendar o acervo de vídeos em sete idiomas, incluindo o próprio português, além de espanhol, inglês, alemão, francês, japonês e chinês. O objetivo era atender desde estudantes estrangeiros matriculados no Brasil até unidades do grupo no Japão.
Na sequência, veio o uso de APIs de sincronia labial para reconstruir a fala do professor em outras línguas sem perder o timbre nem as expressões. “Não é uma dublagem. É o professor falando em inglês ou chinês com a própria voz e com sincronismo labial”, explicou Vannini.
Leia mais: “Temos talentos únicos”, defende VP Latam da AWS sobre adoção de IA na região
A partir daí, o grupo passou a explorar outras frentes de interação. A plataforma começou a gerar resumos automáticos das aulas e pílulas com trechos curtos dos vídeos, facilitando a navegação por tópicos. Depois, foi disponibilizada uma ferramenta de perguntas e respostas baseada exclusivamente no conteúdo da aula. “Agora o aluno consegue esclarecer dúvidas sem sair do contexto. Isso aumentou muito o engajamento”, disse o CIO.
A parceria com a ITCore foi decisiva na arquitetura do projeto, especialmente para garantir desempenho nos polos remotos de EAD, como entre comunidades ribeirinhas no Amazonas. “Há unidades em regiões onde a internet é muito limitada. Nosso papel foi entregar a melhor qualidade possível para cada tipo de conexão, usando cache distribuído”, diz Fábio Vello, CEO da ITCore.
Outra frente em desenvolvimento é a criação automática de exercícios personalizados, com gabarito explicativo e registro do desempenho do estudante. A ferramenta gera questões conforme o pedido do usuário e se adapta ao conteúdo de cada vídeo. “Não é só dizer que está errado. A IA explica por que cada alternativa incorreta não se aplica”, afirma Vannini.
Do ponto de vista do negócio, o impacto já é mensurável. O sistema de ensino do colégio atraiu 35 novas escolas no último ano e registrou baixa evasão de parceiros. “As escolas perceberam que o nível de tecnologia que estamos oferecendo é diferenciado”, destaca o CIO.
*O jornalista viajou a Las Vegas a convite da AWS.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias

