A Tesla registrou queda de 13% nas vendas globais de veículos no primeiro trimestre de 2025, acendendo um alerta vermelho para investidores e colocando ainda mais pressão sobre os resultados financeiros da companhia, previstos para este mês. A fabricante de carros elétricos entregou 336.681 unidades entre janeiro e março, abaixo das 408 mil esperadas por analistas consultados pela FactSet, conforme reportado pela Associated Press.
O número também representa um declínio em relação às 387 mil unidades entregues no mesmo período do ano anterior, mesmo diante de uma série de incentivos aplicados pela empresa, como grandes descontos, financiamento zero e promoções agressivas.
Segundo especialistas, a queda pode ser explicada por uma combinação de fatores: uma linha de produtos envelhecida, a crescente concorrência no mercado global de veículos elétricos, e um boicote crescente impulsionado pelas posições políticas de Elon Musk, que tem se aproximado da ala mais à direita do espectro político dos Estados Unidos.
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Política e mercado em rota de colisão
Desde dezembro, as ações da Tesla perderam cerca de 50% do valor, afetadas pela percepção de risco sobre a imagem pública do CEO e fundador da empresa. O entusiasmo inicial com uma possível administração Trump mais favorável ao setor foi substituído por preocupações sobre os impactos negativos de uma politização da marca.
“É difícil mensurar quanto da queda é causada pelos protestos e quanto decorre de outros fatores do mercado”, apontam analistas ouvidos pela AP. A retração na venda de veículos elétricos como um todo também contribuiu para o cenário.
Além disso, muitos consumidores estão adiando a compra do Model Y, carro-chefe da Tesla, aguardando o lançamento da versão atualizada prevista para o fim deste ano. Enquanto isso, rivais como a chinesa BYD vêm ganhando terreno, oferecendo modelos mais recentes e, em alguns casos, com tecnologias superiores, como carregamento ultrarrápido anunciado em março.
Tesla em transição
Sediada em Austin, no Texas, a Tesla continua sendo uma das líderes do setor, mas enfrenta o desafio de manter relevância diante de um mercado cada vez mais competitivo e sensível a fatores externos, sejam eles tecnológicos, econômicos ou ideológicos.
Com os lucros do primeiro trimestre ainda por vir, investidores e analistas estão atentos ao próximo movimento de Musk e ao impacto das decisões corporativas e de comunicação no futuro da empresa. A promessa da Tesla de inovação contínua e novos lançamentos será posta à prova nos próximos meses.
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