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O Maravalley, hub de inovação carioca, esteve presente na Vivatech, em Paris | Foto: Divulgação
O Maravalley, hub de inovação carioca, esteve presente na VivaTech, em Paris | Foto: Divulgação

*Por Daniel Barros, CEO do Maravalley

A décima edição da VivaTech fechou com 200 mil visitantes de 165 países, 15 mil startups credenciadas e 4.500 expositores. O tema oficial dispensou rodeios: Artificial Intelligence: Impact, Not Illusion. Tradução: o tempo do hype acabou. A régua agora é resultado. O evento se espalhou pela cidade antes mesmo de abrir os pavilhões. No dia 14, a Champs-Élysées foi fechada para carros e transformada em um percurso de imersão gratuito com robôs, mobilidade do futuro e IA aplicada à saúde. Dentro da Porte de Versailles, o centro de convenções onde aconteceu o evento, o espaço foi 30% maior do que no ano anterior.

Os nomes no palco contaram a história do momento. Jeff Bezos abriu o evento no dia 17, apresentando a Prometheus, sua startup de IA para manufatura industrial, que captou US$ 12 bilhões em junho de 2026. E fez um alerta: a automação vai criar uma escassez de mão de obra que o mundo não está preparado para enfrentar.

No dia 18, Emmanuel Macron e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi dividiram o palco principal, com a Índia como parceiro de IA oficial da edição. Yann LeCun, fundador do FAIR e agora à frente da AMI Labs em Paris — startup que captou mais de US$ 1 bilhão em Seed —, defendeu que os grandes modelos de linguagem não conseguem raciocinar de verdade, e que o futuro da IA passa por modelos que aprendam as leis do mundo físico.

Paralelamente ao palco principal, a delegação brasileira participou de side events com executivos, investidores e representantes do ecossistema europeu — conversas que, muitas vezes, são mais densas do que as conferências formais.

A visita ao Station F

A agenda da delegação incluiu uma visita ao Station F — e valeu cada detalhe. Com mais de mil startups, 3 mil estações de trabalho e mais de 30 programas rodando em paralelo, o maior campus de startups do mundo funciona como uma plataforma com camadas. Cada programa tem seu parceiro, sua lógica de seleção e sua proposta de valor. O campus faz uma triagem própria — e não aceita spin-offs acadêmicos sem tração nem projetos ainda em fase exploratória.

Cinco objetivos corporativos organizam a presença das empresas: inovação aberta, investimento e aquisição, co-criação, geração de clientes e monitoramento de tendências. Sanofi, TotalEnergies, Thales, Microsoft e Meta são exemplos das empresas ancoradas em cada um desses eixos.

Os três programas próprios do campus — F/ai (com parceiros como OpenAI, Anthropic, Google, Sequoia e General Catalyst), Founders Program e Fighters Program — mostram como o Station F pensa a jornada da startup de ponta a ponta: da ideia ao scale-up, com estrutura e presença física. As startups do campus captaram mais de € 1,5 bilhão em 2024.

O France em 2025 como um todo atingiu € 7,9 bilhões em captações — alta de 55% em
relação a 2024.

A visita ao EuraTechnologies, em Lille

A missão também foi a Lille, a menos de uma hora de Paris, para conhecer o EuraTechnologies — e a visita revelou um benchmark que poucos conhecem fora da Europa, mas que o Financial Times classificou em 2024 como o hub número 1 da França.

Criado em 2009 pela Metrópole Europeia de Lille, pela Região Hauts-de-France e pela
cidade de Lille, o EuraTechnologies nasceu da reabilitação de uma antiga fiação de algodão e linho — o complexo Le Blan-Lafont — e se tornou, ao longo de quinze anos, um dos maiores e mais antigos incubadores da Europa. Hoje opera em cinco campi, com mais de 135 mil m² de área total, mais de 600 empresas residentes, 8 mil empregos gerados desde a fundação e 500 eventos por ano.

O modelo é diferente do Station F. O EuraTechnologies é mais territorial e mais enraizado em parcerias públicas. No campus principal, convivem IBM, Capgemini, Microsoft, SNCF, Vinci e Engie com laboratórios de P&D do INRIA e CEA Tech. As startups aceleradas já captaram mais de € 500 milhões.

Um dos ativos mais diferenciados do EuraTechnologies é o Campus Cyber Hauts-de-France, instalado no edifício Wenov em Lille e operado pelo próprio hub. Com 3.000 m², é o primeiro campus territorial a receber o selo do Campus Cyber Nacional francês — uma rede iniciada pelo presidente Macron para federação do ecossistema de cibersegurança do país.

O campus reúne startups, centros de pesquisa, organismos de formação e serviços do Estado, e conta com uma Cyber Range desenvolvida pela Airbus Defence and Space: uma plataforma de simulação de redes e ataques que permite treinar equipes em cenários realistas de incidentes e crises cibernéticas — um equipamento raro e estratégico para a região.

O que impressiona no EuraTechnologies não é só o tamanho. É o modelo: hub público que se comporta como empresa, com acionistas que incluem a metrópole, a região, bancos regionais e grandes empresas. Uma estrutura de Sociedade de Economia Mista que gerou impacto real em uma cidade que não era, historicamente, um centro de tecnologia.

O que o Maravalley trouxe na bagagem

A missão à França em junho de 2026 não foi de turismo tecnológico. Foi de leitura de
mercado.

O que vimos em Paris e em Lille confirma uma percepção que vínhamos desenvolvendo: há espaço real para startups e empresas brasileiras no ecossistema europeu — e a janela está
aberta.

O Station F recebe entre 50 e 60 scale-ups internacionais por ciclo, com programas desenhados especificamente para empresas que querem testar o mercado europeu. A VivaTech, por sua vez, é um dos poucos eventos onde você consegue ter, em quatro dias,
conversas com investidores, corporações e reguladores europeus no mesmo espaço.

Para o Maravalley, a pergunta que fica não é se o Brasil deve estar nesses ecossistemas. É como estruturar essa presença de forma que gere resultado concreto — para as startups do
hub, para as empresas parceiras e para o posicionamento do Rio de Janeiro como destino de inovação da América Latina.

A resposta começa a ser construída. Estamos avaliando os formatos certos para levar uma delegação brasileira à VivaTech 2027. O Brasil estará lá — e o Maravalley vai ajudar a traçar o caminho.

O post VivaTech 2026: o Maravalley foi a Paris – e voltou com uma missão apareceu primeiro em Startups.