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Imagem mostrando várias moedas douradas espalhadas sobre uma superfície onde aparece parcialmente o logotipo da Meta. As moedas estão desfocadas em alguns pontos, enquanto o nome “Meta” e o símbolo em azul ficam visíveis ao centro.

A Meta apresentou nesta segunda-feira (10) um novo modelo de inteligência artificial (IA) de pesos abertos, batizado de Muse Glimmer, ao mesmo tempo em que seu presidente-executivo, Mark Zuckerberg, voltou a defender publicamente que os Estados Unidos afrouxem as regras que hoje dificultam o avanço de empresas norte-americanas nesse segmento frente à concorrência chinesa, segundo a Reuters.

Diferentemente dos grandes modelos de fronteira lançados por concorrentes como OpenAI, Google e a própria Anthropic, o Muse Glimmer foi projetado com uma pegada bem mais enxuta: ele roda em um computador comum, seja Mac ou PC, equipado com apenas uma placa de vídeo. A escolha reflete uma aposta da Meta em tarefas agênticas executadas localmente, no próprio dispositivo do usuário, em vez de depender inteiramente de data centers na nuvem — um nicho que a empresa vê como estratégico diante do crescimento da demanda por IA embarcada.

De acordo com a informações da Reuters, além do Glimmer, a companhia confirmou que também vai liberar os pesos do Muse Spark 1.2, descrito como seu sistema mais avançado até agora e fruto do trabalho da equipe de superinteligência que a Meta montou, a peso de bilhões de dólares, no ano passado, numa tentativa de recuperar terreno na corrida por IA depois da recepção morna ao Llama 4.

Zuckerberg detalhou a posição da empresa em um ensaio de catorze páginas intitulado “O Futuro É Para Todos”, divulgado junto com um vídeo publicado no Instagram. No texto, ele argumenta que concentrar o poder da inteligência artificial nas mãos de poucas companhias, numa crítica pouco velada a rivais como OpenAI e Anthropic, é mais arriscado do que distribuir amplamente a tecnologia por meio de modelos abertos. Ele também disse estranhar o tom pessimista de parte do debate sobre IA, questionando por que alguém que acredita que a tecnologia vai eliminar a maioria dos empregos se apressaria em construir esse futuro.

Leia mais: Criar agente de IA já não basta; é preciso provar que ele se paga

Entre as mudanças que Zuckerberg considera necessárias está a revisão das regras sobre destilação de modelos, a prática de usar as respostas de um sistema de IA mais avançado para treinar um modelo menor, algo que parlamentares americanos têm criticado por se assemelhar a uma forma de apropriação de propriedade intelectual. Como contrapartida às preocupações regulatórias, a Meta anunciou a criação de uma nova instância de governança, que dará aos conselheiros independentes da empresa poder de aprovar os critérios de segurança antes do lançamento de futuros modelos.

O anúncio também trouxe uma novidade fora do campo da IA generativa: um fundo de 1 bilhão de dólares destinado a comunidades afetadas pela construção acelerada de data centers pela Meta, que soma um orçamento de infraestrutura de até 145 bilhões de dólares neste ano. A oposição local a esses empreendimentos vem se tornando um tema eleitoral relevante nos Estados Unidos, e a empresa busca, com a iniciativa, amenizar o desgaste político em torno do tema. Zuckerberg chegou a afirmar que a dificuldade de erguer infraestrutura em solo americano é hoje uma desvantagem competitiva do país frente à China.

O pano de fundo da disputa é claro: nos modelos de código aberto, startups chinesas como Moonshot (com o Kimi K3), Alibaba (Qwen3.8-Max) e DeepSeek (V4-Flash) têm entregado desempenho equiparável ao de sistemas americanos, enquanto os modelos mais avançados de OpenAI, Anthropic e Google seguem fechados. O mercado reagiu de forma modestamente positiva ao anúncio: as ações da Meta, que acumulam queda de cerca de 10% neste ano em meio às dúvidas dos investidores sobre o retorno de seus gastos bilionários em IA, subiram entre 1% e 2% no pré-mercado desta segunda-feira.

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