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A inteligência artificial traz ganhos de eficiência e produtividade no trabalho, mas para o trabalhador ela pode representar um risco quando usada em excesso: o da zumbificação. Não estamos falando, é claro, dos mortos-vivos de filmes e séries de terror, mas sim de pessoas que delegam à IA tarefas cada vez mais complexas, como o uso de ferramentas básicas de trabalho e até em comunicações pessoais, causando perda gradual de autonomia intelectual.

Quem faz o alerta é a consultoria global especializada em personalidade e liderança Hogan Assessments. Para os especialistas da empresa, em determinado ponto o uso de IA deixa de apoiar e passa a substituir o pensamento humano, o que eles chamam de “era do zumbi de IA”.

“No seu melhor, a IA amplia o potencial humano. No pior cenário, ela pode substituí-lo”, diz em comunicado Ryne Sherman, Chief Science Officer da consultoria. “O risco não é apenas automação, mas abrir mão do próprio julgamento”.

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O “zumbi de IA” não é necessariamente menos capaz, mas tende a se tornar “excessivamente dependente”, diz a Hogan, mesmo para raciocinar sobre alguma questão de trabalho ou escrever ou revisar um texto. Esses profissionais mantêm aparência de produtividade, mas com menor envolvimento analítico e profundidade de pensamento.

Globalmente, 60% das empresas identificam o pensamento crítico como uma das principais lacunas de habilidades, de acordo com estudo do Fórum Econômico Mundial.

Outras características desse “zumbi” incluem baixa curiosidade, excesso de cautela pelo medo de errar, baixa autoconfiança no próprio julgamento e excesso de conformidade, ou seja, segue padrões sem questioná-los. Para Sherman, esses traços combinados “podem levar a decisões automatizadas em vez de bem fundamentadas”.

Papel da liderança

Para a consultoria, as lideranças das empresas estão diante de uma encruzilhada: incentivar o uso estratégico e consciente da IA, ou tornar a dependência um padrão. Organizações mais avançadas, defendem, precisam valorizar o pensamento crítico, criando ambientes seguros para erro e desenvolvendo o uso da IA com foco em qualidade, não só eficiência.

“A IA deve funcionar como copiloto, não como piloto automático”, defende Sherman. “Quando líderes priorizam velocidade acima da reflexão, incentivam um uso passivo da tecnologia. Quando estimulam autonomia, curiosidade e senso crítico, garantem que a IA seja uma ferramenta de apoio, não de substituição”.

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