
Por Cristiano Oliveira
O South by Southwest (SXSW) sempre foi um espaço relevante para antecipar movimentos que começam na cultura, passam pela tecnologia e impactam diretamente a forma como empresas operam, servindo de radar do futuro. Entretanto, em 2026 a percepção é de que muitas dessas transformações já estão em curso e começam a se consolidar de forma simultânea.
Um dos conceitos centrais apresentados no evento foi o de convergência, destacado por Amy Webb. Não estamos mais vivendo ondas isoladas de inovação, estamos diante da interseção simultânea de inteligência artificial, biotecnologia, computação avançada e novas arquiteturas digitais. Esse cenário cria um ambiente mais dinâmico e interdependente, exigindo das organizações uma capacidade maior de adaptação.
Nesse sentido, destaco os três principais pontos que apontam a tecnologia alinhada ao comportamento para ditar o ano das empresas ao redos do mundo.
1.A convergência expõe os limites da base tecnológica
A inteligência artificial já está incorporada ao cotidiano das empresas, influenciando decisões, automatizando processos e ampliando possibilidades de inovação. Dentro de um contexto de convergência tecnológica, o principal desafio passa a estar relacionado à capacidade estrutural das organizações de sustentar essa evolução.
Muitas empresas ainda operam sobre sistemas desenvolvidos em contextos tecnológicos anteriores, que foram fundamentais para garantir estabilidade e escala ao longo do tempo. No entanto, essas mesmas estruturas podem dificultar integração com novas plataformas, limitar a velocidade de desenvolvimento e reduzir a capacidade de adaptação a novos modelos digitais.
Nesse ambiente, a modernização da base tecnológica se torna um elemento relevante para viabilizar a integração entre diferentes tecnologias e permitir que a inovação aconteça de forma consistente e segura.
Leia mais: IA precisa ser mais humana e menos dominada por hype e big techs, diz especialista no SXSW
2.O fator humano ganha centralidade em um ambiente automatizado
Ao mesmo tempo em que a tecnologia avança, os debates no SXSW trouxeram uma atenção crescente para questões relacionadas ao comportamento humano dentro das organizações.
O conceito de mattering apareceu de forma recorrente nas discussões, associado à percepção de pertencimento e reconhecimento no ambiente de trabalho. Em um contexto cada vez mais orientado por dados e automação, a valorização das pessoas passa a ter impacto direto sobre engajamento, colaboração e capacidade de inovação.
Outro ponto relevante foi o fortalecimento do conceito de human agency, que se refere à capacidade de agir com intenção, tomar decisões e assumir responsabilidade. A expansão do uso de inteligência artificial amplia a necessidade de desenvolver pensamento crítico e autonomia nas organizações.
Esses fatores indicam que a evolução tecnológica precisa ser acompanhada por uma atenção maior à cultura organizacional e ao desenvolvimento de pessoas, especialmente em ambientes onde decisões são cada vez mais influenciadas por sistemas automatizados. Afinal, quanto mais a tecnologia avança, mais essencial se torna preservar aquilo que nos torna humanos.
3.A nova vantagem competitiva é saber operar na convergência
O cenário de convergência tecnológica amplia a complexidade do ambiente de negócios e exige das empresas uma abordagem mais integrada da transformação digital. A competitividade passa a estar associada à capacidade de evoluir simultaneamente diferentes dimensões da organização, incluindo infraestrutura tecnológica, cultura e processos de tomada de decisão. Esse alinhamento permite que a tecnologia seja utilizada de forma mais eficiente e conectada aos objetivos do negócio.
A partir dessa integração, as organizações conseguem avançar com maior previsibilidade, reduzindo complexidade operacional, custo e criando condições para escalar inovação de forma sustentável.
Uma agenda que começa pela base
Os debates do SXSW reforçam que a evolução tecnológica das empresas está diretamente ligada à forma como suas estruturas foram construídas ao longo do tempo.
A integração entre diferentes tecnologias depende de arquiteturas capazes de suportar novos modelos operacionais, maior volume de dados e demandas crescentes por flexibilidade. Nesse contexto, iniciativas de modernização passam a ter impacto direto na capacidade competitiva das organizações, deixando de ser apenas uma questão técnica.
A combinação entre tecnologia, pessoas e estratégia tende a definir o ritmo de adaptação das empresas nos próximos anos. Para estar preparado para lidar com mudanças contínuas e explorar novas oportunidades de crescimento, as organizações precisarão evoluir esses elementos de forma coordenada para que a inovação traga resultados.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!


