Skip to main content

A imagem mostra um conceito de cibersegurança, com um fundo escuro e um teclado de computador iluminado. Uma mão está digitando no teclado, enquanto ícones de cadeados digitais aparecem sobrepostos. Os cadeados vermelhos representam vulnerabilidades ou riscos de segurança, enquanto um cadeado azul no centro simboliza proteção e segurança digital (profissionais, xp, trabalho, indústrias, verdade, usuários finais)

O ano de 2025 foi marcado por uma série de choques para os profissionais de cibersegurança. Mudanças políticas nos Estados Unidos abalaram a estrutura das agências federais de defesa digital e repercutiram globalmente, enquanto a evolução da inteligência artificial deslocou o foco da IA generativa para os agentes autônomos, usados tanto para produtividade quanto para ataques cibernéticos. Paralelamente, a onda de invasões a infraestruturas críticas e empresas comuns colocou equipes de segurança em alerta permanente.

De acordo com o relatório “Predictions 2026: Cybersecurity And Risk”, da Forrester, o próximo ano promete ser igualmente desafiador. A consultoria prevê que a combinação de instabilidade geopolítica e adoção acelerada de novas tecnologias por cibercriminosos exigirá que líderes de segurança, risco e privacidade reforcem não apenas suas defesas, mas também a preparação humana para lidar com o novo cenário.

Leia também: 63% das operadoras de telecom sofreram ataques do tipo ‘silencioso’

  1. Vazamento público causado por IA autônoma levará a demissões

A Forrester alerta que 2026 registrará o primeiro grande vazamento de dados provocado por agentes autônomos de IA, com consequências diretas para as equipes responsáveis. Desde 2022, a IA generativa já causou incidentes envolvendo exposição ou comprometimento de informações sensíveis. Agora, com a automação de fluxos inteiros, em que sistemas tomam decisões sem supervisão humana, o risco se multiplica.

Segundo os analistas, o problema surge quando empresas priorizam velocidade em detrimento da precisão, especialmente em interações com clientes. Nessas situações, falhas podem ser atribuídas tanto às máquinas quanto aos funcionários, criando disputas internas e expondo vulnerabilidades de governança. Para evitar esses erros, a Forrester recomenda adotar o framework AEGIS, que abrange práticas como segurança de intenção, controle de identidade e rastreabilidade de dados.

  1. Cinco países restringirão ou nacionalizarão infraestruturas de telecom

Outro movimento previsto é a nacionalização parcial de redes de telecomunicações em pelo menos cinco países. O gatilho foi a operação de ciberespionagem Salt Typhoon, que atingiu mais de 600 organizações em 80 países e revelou a fragilidade das redes comerciais.

Em resposta, governos já começaram a reforçar legislações e controles. A Austrália revisou a Security of Critical Infrastructure Act; a Itália iniciou a reestruturação bilionária da Telecom Italia e o desenvolvimento de satélites próprios; e os EUA proibiram a participação de empresas chinesas e russas em cabos submarinos.

Com o avanço de ecossistemas baseados em internet das coisas e constelações de satélites em órbita baixa, a superfície de ataque se expande rapidamente. Para os CISOs, a recomendação é investir em monitoramento contínuo de riscos e controles automatizados, antecipando-se a novas regulamentações.

  1. Orçamentos para segurança quântica ultrapassarão 5% do total de TI

A Forrester prevê um salto expressivo nos investimentos em segurança quântica, impulsionado pelo risco de quebra dos algoritmos de criptografia atuais. A consultoria estima que computadores quânticos comerciais poderão violar padrões de criptografia assimétrica em menos de 10 anos, talvez antes.

Diante disso, equipes de segurança devem acelerar migrações para sistemas resistentes à computação quântica, seguindo as diretrizes do NIST, que prevê a descontinuação dos protocolos RSA e ECC entre 2030 e 2035. O aumento de gastos incluirá consultorias especializadas, atualização de bibliotecas criptográficas, auditoria de fornecedores e adoção de soluções de “agilidade criptográfica” capazes de se adaptar rapidamente a novos algoritmos.

Um novo ciclo de riscos emergentes

O relatório conclui que a segurança cibernética deixou de ser um domínio apenas técnico e passou a refletir tensões políticas, econômicas e tecnológicas em escala global. Os líderes de segurança terão de atuar de forma transversal, protegendo dados, educando equipes e ajustando estratégias conforme o avanço de agentes de IA e ameaças estatais.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!