
A Meta confirmou uma nova rodada de demissões em sua divisão Reality Labs, responsável por produtos de realidade virtual, aumentada e mista. A decisão envolve o corte de pelo menos mil postos de trabalho e reflete uma mudança de menos foco no metaverso e mais investimentos em wearables, especialmente óculos inteligentes com recursos de inteligência artificial (IA).
De acordo com informações divulgadas inicialmente pela Bloomberg, cerca de 10% da equipe da Reality Labs foi impactada. A Meta confirmou os desligamentos e afirmou que a medida faz parte de um reposicionamento mais amplo de capital e recursos humanos. Em declaração enviada à imprensa, a empresa disse que pretende reinvestir as economias geradas com a reestruturação para acelerar o crescimento de sua área de wearables ainda em 2026.
Nos últimos anos, os dispositivos vestíveis da Meta vêm ganhando mais tração comercial do que seus headsets de realidade virtual. Os óculos inteligentes desenvolvidos em parceria com a Ray-Ban se tornaram um dos principais vetores dessa estratégia, combinando design de consumo com funcionalidades baseadas em IA, como captura de imagens, comandos por voz e integração com assistentes digitais. O lançamento mais recente da linha, com foco maior em display e recursos inteligentes, ampliou a visibilidade da Meta nesse segmento.
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Produção intensa
Segundo a Bloomberg, a companhia estuda dobrar sua capacidade de produção de óculos inteligentes até o fim de 2026 para atender a uma demanda considerada acima do esperado internamente. Esse movimento ajuda a explicar por que os investimentos estão sendo redirecionados para wearables, enquanto projetos ligados exclusivamente ao metaverso perdem prioridade dentro do portfólio da empresa.
Apesar do ajuste, a Meta não encerra suas iniciativas relacionadas ao metaverso. Um memorando interno citado pela Bloomberg, assinado pelo diretor de tecnologia da companhia, Andrew Bosworth, aponta para uma mudança de abordagem. Em vez de uma plataforma social centrada principalmente em realidade virtual, a estratégia passa a considerar o metaverso como uma experiência mais ampla, com maior ênfase em dispositivos móveis e integração com outros formatos de acesso digital.
A Reality Labs foi criada para liderar a visão de longo prazo da Meta em computação imersiva, mas acumulou perdas financeiras significativas desde sua fundação. Os investimentos bilionários em hardware, software e conteúdo não se converteram, até agora, em adoção massiva de headsets de VR pelo público geral. Em contraste, os wearables têm apresentado ciclos de adoção mais rápidos, custos menores para o consumidor e aplicações práticas mais imediatas.
A decisão anunciada em janeiro de 2026 se soma a outras decisões recentes da Meta voltadas à eficiência operacional e à priorização de produtos com maior potencial de escala. A empresa tem reforçado, em comunicações a investidores, que pretende concentrar esforços em áreas onde inteligência artificial e hardware de consumo se cruzam de forma mais direta, abrindo novas frentes de monetização.
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