
Crescer é o objetivo de toda empresa, mas se engana quem pensa que a vida fica mais fácil depois que o negócio ganha proporções maiores. Mais clientes, mais funcionários para gerenciar e, em alguns casos, mais investidores e acionistas são pontos que adicionam pressão sobre os founders, que precisam se preparar para esse momento.
“Eu acho que crescer te ajuda em alguns aspectos, principalmente o aspecto de reputação, você consegue ter mais acesso. Agora, na minha jornada, crescer me trouxe muito mais problemas enquanto empreendedor”, admitiu Paulo Alencastro, cofundador da Unico e General Partner no Canastra Ventures.
O empreendedor participou do painel Scaling Skills for Scaling Companies no South Summit 2026, apresentado pelo fundador do Startups Gustavo Brigatto.
Parte dos problemas mencionados por Paulo estão ligados ao fato de que o fundador acaba sendo a última camada decisória em uma empresa, lidando com questões que vão de gente e cultura à operação financeira. “Você acaba sendo a última linha pra tomar uma decisão sobre determinado tema. Então existe uma pressão maior, existe uma cobrança maior, e isso faz com que você precise se desenvolver rápido”, explicou.
Segundo ele, em alguns momentos, é preciso equilibrar também as diferentes demandas vindas de todos os lados. “Todo mundo quer que a empresa prospere, mas são forças diferentes em alguns momentos, né? O investidor quer uma coisa, o executivo quer outra, o advisor outra, o cliente outra. É complexo”, reconhece.
Essa pressão se intensificou quando a Unico, startup de biometria e identidade digital, alcançou o status de unicórnio em 2021. Para Paulo, virar referência no mercado também significa virar alvo.
Um dos aprendizados enfatizados pelo empreendedor foi a importância de se cercar de pessoas mais experientes, iniciando essas conversas antes mesmo que a empresa esteja pronta para absorvê-las. “Um dos temas centrais para mim é ter pessoas melhores que você te ajudando. E você precisa conversar com as pessoas constantemente. Mesmo que naquele momento elas ainda sejam muito grandes para a empresa, eu vou conversar com essa pessoa hoje, porque quem sabe daqui a três anos ela pode estar aqui me ajudando.”
Ele citou como exemplo o investidor Martin Escobari, co-presidente da General Atlantic, que numa primeira reunião mandou a equipe da Unico embora com um recado direto: voltem quando tiverem 50 vendedores. A startup voltou, mostrou a execução de 2019 e a conversa avançou. “Pra nós, a entrada do Martin foi super realizadora, porque ele é cara que tudo que botou a mão deu certo, e isso te traz uma confiança de tocar o negócio.”
O mesmo padrão se repetiu com outros nomes que passaram pela companhia – executivos sêniores que a Unico não teria condições de contratar nos primeiros anos, mas com quem manteve relacionamento até o momento certo.
Após 15 anos construindo a Unico, Paulo deixou a operação e migrou para o lado do capital, como general partner do Canastra Ventures. “Estava na hora começar a compartilhar esse conhecimento acumulado para que outras empresas prosperem”, disse. “Já errei bastante, e acho que isso pode fazer diferença para outros empreendedores.”
O post “Crescer me trouxe mais problemas”, diz cofundador da Unico apareceu primeiro em Startups.


