
A Inetum chega a 2026 consolidando um ciclo de transformação que posiciona o Brasil como mercado prioritário dentro de sua estratégia global, especialmente na América Latina. Após um ano sob o comando de Douglas Nascimento no País, período em que a presença local cresceu 30%, a empresa francesa de serviços digitais projeta um avanço ancorado na proximidade com o cliente e na especialização setorial.
Em entrevista ao IT Forum, Nascimento, ao lado de Manuel García del Valle, CEO da Inetum Ibéria Latam, e José Antônio Fernandez Ignacio, diretor do polo América Latina, enfatizou que a maturidade alcançada em 2025 servirá como base para metas mais ambiciosas. O objetivo é deixar de ser um fornecedor de TI para se tornar um parceiro estratégico que entende do negócio dos clientes. “Estamos mirando um crescimento de 40% da empresa no Brasil, realmente conquistando parcerias e reconhecimento dos CEOs”, explica.
Uma das peças-chave do novo posicionamento é a inteligência artificial (IA). Para a Inetum, apesar de ser um marco revolucionário, a tecnologia por si só não tem poder de transformação e só causa impacto real quando aplicada às necessidades do negócio.
Segundo García del Valle, antes de levar essa visão aos clientes, a companhia buscou aplicá-la internamente, automatizando processos administrativos, financeiros, jurídicos e de compliance, além de usar a IA para desenvolver soluções e frameworks. A empresa também lançou o programa de treinamento “Você Fala a Minha Língua?” para todos os 27 mil funcionários, com foco em capacitá-los para usar as novas ferramentas.
Foi nesse processo que a organização desenvolveu sua filosofia de atuação com IA, que inclui o uso da tecnologia para gestão de mudanças, organização de processos e desenvolvimento de novos negócios. Em vez de criar uma divisão focada em IA, a empresa a incorporou a todos os seus serviços. “A inteligência artificial generativa não se trata de fazer as mesmas coisas com novas ferramentas, mas de transformar radicalmente o que fazemos”, declarou García del Valle.
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Atualmente, a Inetum conta com três unidades de negócio principais: consultoria estratégica focada em transformação digital, desenvolvimento de arquiteturas digitais e brand business, voltada a plataformas de ERP e CRM. Todas são apoiadas pela IA, incluindo a nova solução Cobor, um sistema que utiliza diversos modelos de linguagem para identificar quais processos internos de uma empresa são passíveis de automação, mapeando ineficiências operacionais. “Não é algo que desenvolvemos para vender no mercado, mas dentro de cinco meses vamos usar com nossos clientes para sermos ainda mais assertivos em nossas consultorias”, explica Nascimento.
O futuro dos ERPs
A escolha por integrar a IA de forma unificada é também uma estratégia da Inetum para se manter relevante em um mercado em transformação. Diante do avanço dos agentes de IA e do questionamento sobre o futuro dos ERPs, parte importante dos negócios da empresa, García del Valle acredita em um futuro de crescente integração entre infraestruturas, soluções e serviços. Nesse cenário, as plataformas precisarão responder a demandas variadas com suas próprias capacidades ou por meio de parceiros, sob o risco de perder relevância.
Seria a capacidade de criar soluções especializadas por setor que determinaria o valor das novas plataformas. “A verdade é que não sabemos como será o cenário final, mas penso que o mundo das plataformas vai persistir e crescer, só que com uma abordagem mais integrada de infraestrutura, serviços e muito mais personalizada para cada setor”, afirma.
É com essa visão que o executivo busca construir um ecossistema cada vez mais colaborativo, investindo na capacitação dos funcionários e na regionalização das unidades de negócio, algo que já tem sido replicado no Brasil. “Nós preferimos que nossas equipes sejam compostas por brasileiros, pois eles compreendem a realidade e a cultura dos nossos clientes”, disse.
Talento brasileiro
No Brasil, a Inetum conta hoje com 350 colaboradores e pretende expandir para 1 mil até o final de 2027. “O marco de um ano de gestão nos permite entender que o Brasil não é apenas uma geografia de entrega, mas um polo de inovação”, disse Ignacio.
Para isso, além de contratar profissionais experientes, a organização estruturou um projeto com quatro turmas de capacitação e formação de profissionais para atuar na área de TI. A ideia é que o Brasil possa também exportar talentos para outros mercados, modelo que a companhia já aplica na Espanha e pretende replicar aqui. Para García del Valle, isso evidencia a importância do Brasil para a companhia e o investimento na maturidade do mercado local.
“O PIB do Brasil é consideravelmente superior ao da Espanha, mas o mercado de TI ainda é metade do tamanho, o que revela um enorme potencial de crescimento. Nosso objetivo é desenvolver talentos locais para que possam trabalhar para a própria região, mas também atender aos Estados Unidos ou ao México, servindo como uma porta de entrada estratégica para a Europa via Portugal”, afirma o executivo.
Em 2022, a companhia decidiu atuar apenas com empresas privadas na América Latina. Para este ano, os setores financeiro, de energia, de manufatura e de bens de consumo terão foco especial nos planos de crescimento no país. “Sabemos que a indústria é uma grande demandante de inovação e conseguimos trazer soluções robustas para esse mercado. Também temos clientes importantes no varejo, que seguiremos atendendo, mas não pretendemos expandir tanto nessa área”, conta Nascimento.
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