
Para quem é do mercado de processamento de pagamentos e conhece os players tradicionais, explicar o que a Tamborine faz é fácil: “Nós somos a Vision do século 21”, resume Marcio Silva, chefe de inovação da startup. Para quem não está tão familiarizado com o setor, basta saber que a fintech está reinventando do zero a infraestrutura de pagamentos, substituindo uma arquitetura legada e criando um modelo mais leve, ágil e feito para funcionar em nuvem.
Fundada por um time técnico, a Tamborine acaba de levantar US$ 100 mil com a Koinz Capital para alavancar o go-to-market e desenvolver a área de negócio. Para isso, os fundadores vão contar com a ajuda de um conselho com nomes de peso: Fabricio Coutinho (ex-Itaú BBA e ex-CEO da TopPerformance), Jerson Prochnow (fundador da FISCOSoft, adquirida pela Thomson Reuters), Regina Botter (ex-Visa e Webmotors), Cleber Ferraz (ex-Visa), Fabian (ex-Cora) e Takamura (ex-Revolut e ex-Mastercard).
Os sócios da fintech são Marcio Silva, engenheiro com 35 anos de gestão de projetos em TI, Marcio Teixeira (CTO), doutor pelo ITA com patentes em Criptografia e Segurança Digital, e João Guimarães (CEO), que veio do mercado financeiro e é ex-membro do Conselho Administrativo do Banco BMG.
Depois de alguns anos desenvolvendo a base tecnológica, eles entenderam que estava na hora de ampliar a presença da Tamborine no mercado como processadora e BIN Sponsor, que tem como objetivo tornar mais eficiente a infraestrutura de emissão e processamento de cartões no país. Henrique Valicente, Acquisition Manager da Koinz Capital, explica que a fintech atua como camada tecnológica para emissores e parceiros do ecossistema, reduzindo complexidade operacional e acelerando o lançamento de novos produtos.
“Quando avaliamos a Tamborine, vimos um produto com potencial de disrupção em um mercado tradicional, com eficiência superior e custo menor”, afirma o investidor.
A expectativa é usar esse capital para validar tração, ganhar escala e preparar a empresa para uma próxima rodada em bases mais sólidas, com um valuation mais consolidado.
“Qualquer cheque que entrar agora é para tracionar, gerar negócio e receita”, diz Marcio.
Como funciona a Tamborine
A tese da startup é atacar um problema estrutural do mercado: a dependência de sistemas legados que, segundo os fundadores, foram sendo adaptados ao longo de décadas, com novas camadas adicionadas para responder a mudanças regulatórias e tecnológicas. O resultado, dizem, são infraestruturas pesadas, caras e pouco flexíveis.
“São softwares que foram se adaptando desde os anos 90. Fica aquela torre de bloquinhos que, se você tirar o de baixo, cai tudo”, diz Marcio Silva.
A proposta da Tamborine é substituir esse modelo por uma arquitetura proprietária, construída do zero e nativa em nuvem, que permite integrações mais simples, menor custo operacional e mais agilidade para emissores lançarem produtos.
Na prática, isso significa reduzir barreiras que, segundo a empresa, ainda marcam o mercado tradicional. Por exemplo, longos processos de integração, exigência de grandes volumes para operação e dificuldades para migração entre processadoras.
“Essas outras têm processo de migração em que você precisa alterar todo o sistema para se adaptar à nova processadora. Na Tamborine, a gente consegue plugar no emissor com muito mais facilidade”, afirma Marcio.
Um dos exemplos usados pelos fundadores para ilustrar a diferença está na adaptação de sistemas antigos para a nuvem. “É você pegar um caminhão e colocar em cima de um Fusca para andar e dizer que agora está transportando de Fusca”, compara o Marcio. “Alguns pegaram sistemas desenhados para mainframes e colocaram simuladores desses ambientes na nuvem. Isso pesa, coloca custo e cria complexidade.”
A crítica dialoga com a proposta central da startup: não modernizar sistemas legados, mas substituí-los.
A inspiração para criar a empresa, segundo os fundadores, veio ao observar movimentos como o do Nubank, que desenvolveu infraestrutura própria para reduzir dependência de processadoras tradicionais. “A gente entendeu que havia espaço para redesenhar essa camada do zero”, aponta Marcio.
Não é engenharia reversa
Os fundadores enfatizam que, apesar das comparações com os sistemas antigos, a Tamborine não foi construída a partir de adaptações ou engenharia reversa. A distinção é relevante porque, segundo os sócios, a proposta da startup não é modernizar um sistema existente, mas repensar a infraestrutura com outra arquitetura. Em vez de portar tecnologias desenhadas para ambientes de mainframe para a nuvem, a empresa afirma ter partido de premissas nativas de computação em nuvem, modularidade e segurança.
Segundo João, essa abordagem também permitiu incorporar desde a base mecanismos próprios de criptografia e proteção contra vulnerabilidades. “Uma das vantagens de construir do zero é não carregar limitações herdadas. Você consegue desenhar a segurança como parte da arquitetura, e não como uma camada adicionada depois”, diz o CEO.
Os fundadores afirmam que essa escolha também apareceu no processo de homologação com bandeiras. De acordo com a empresa, a Tamborine já foi homologada por três bandeiras e recebeu feedbacks positivos sobre práticas técnicas e integração. “Tivemos casos em que mandamos resultados de testes e perguntaram se eram reais, porque ninguém costumava operar daquele jeito”, afirma João.
Com parte do time vinda de pesquisa em criptografia e segurança digital, a startup diz ter incorporado mecanismos próprios de proteção e defesa na arquitetura da plataforma.
“A simplicidade acaba dando menos brecha para algo dar errado. A gente tem menos pontos fracos porque o sistema é mais simples”, resume Marcio.
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